O impacto do debate no pensamento de Habermas manifesta-se no abandono, a partir de 1970, da psicanálise como paradigma de uma teoria crítica da sociedade e no desenvolvimento subsequente, em sua
Theorie des kommunikativen Handelns, de uma ética do discurso que evidencia sua dívida para com o diálogo hermenêutico. O conceito de solidariedade permanece como um elo entre Gadamer e Habermas, fundamentando a tese de Richard J. Bernstein de que a hermenêutica filosófica contém uma crítica política confirmada pelo papel da phronesis ou sabedoria prática, denotando influência da crítica da ideologia. Em sua
laudatio de 1979, intitulada
Hans-Georg Gadamer. Die Urbanisierung der Heideggerschen Provinz, Habermas reconhece o potencial emancipatório da hermenêutica, compartilhado com Gianni
Vattimo, embora critique a negligência do pensamento utópico e, com a autoridade de sua voz, contribua para colocar Gadamer sob a sombra de Heidegger, apesar das diferenças substanciais entre a virada para o misticismo do Ser deste último e o humanismo daquele, apontando para uma problemática mais ampla referente à relação da filosofia alemã com sua própria história e identidade, e o papel negligenciado de
Platão na hermenêutica gadameriana.