FGEMO
A metafísica consiste em decifrar este mundo, descobrir na observação dos fenômenos a hipótese subjacente oculta ao olhar sensível e, então, dizer o que há, em última instância, neste mundo de Hipótese Posterior, ultra-secreta.
A Metafísica consiste em decifrar este mundo, descobrir na observação dos fenômenos a hipótese subjacente oculta ao olhar sensível e, então, dizer o que há, finalmente (no Fim), neste mundo de Hipótese Posterior, ultra-secreta.
Ela não é nada mais, do início ao fim, da primeira à última palavra, do que o estudo progressivo das existências deste mundo. O que as coisas são se revela pouco a pouco, à medida que se vai do mais incontestável (onde se confronta com os objetos) ao que a substância do assunto tem de mais secreto, mais ao que há finalmente de mais misterioso na Necessidade (que alguns chamam de “Deus”).
Da mesma forma que o corte não rompe a unidade de um filme, mas, pelo contrário, a reconstitui, o esquema a seguir deve ser entendido como um esquema operacional, indicando as etapas de um percurso em que se segue o mesmo caminho, em virtude do mesmo método, até o fim da mesma questão, colocada à mente pelo real (por este mundo que nos confronta e do qual somos os interrogadores).
Sim, manifestamente e aparentemente, mas em que medida?
1. Ser-localizado (espaço ou lugar).
2. Ser-disposto (a posição do corpo).
3. Ser-equipado (civilização ou o ter e a privação).
4. Ser-datado (histórico, ou o tempo e o intemporal).
5. Ser-qualificado (diferentes níveis de qualidades ou de desqualificações).
6. Ser-operante (a ação: operária, imanente, etc.).
7. Ser-padecente: significado da paixão, da loucura, etc.
8. Ser-relacionado: ou “ter um sentido”; Notadamente, a linguagem: sistema de referências.
9. Ser quantificado: ou a extensão material seria a substância do mundo?
(o que são as coisas cada uma por si). Deciframento ontológico, sucedendo à análise fenomenológica.
1. A substância aos olhos do “físico”: um “devir”, objeto de suas teorias.
2. A substância em vias de ser:
3. O ato e a potência
4. O “sujeito” (ou a subjetividade-substância individuada).
(as coisas)
Em outras palavras, o Arché dessas “existências” é mais profundamente “secreto” do que a substância e suas manifestações? 1. Os fenômenos (devir) não se identificam com a substância (que é); nem a substância ela mesma com a existência.
2. Existência do Segredo Último (MISTÉRIO) dos seres
O que se evoca (ou invoca) sob o "nome" de Deus é uma //necessidade-que-existe// por trás de todas as coisas!
Como bem se imagina, outra divisão pode também dar conta do mesmo processo (e usaremos de certa liberdade para modificá-la nós mesmos no decorrer do caminho).
Mas o que importa, é que o eixo da pesquisa seja polarizado por um fato: o ser. O ser dos fenômenos primeiro: isto …são coisas que existem e se manifestam parecendo-ser. O ser da substância em seguida, uma vez que é verdade que também se pergunta: que são essas coisas? O ser da última hipótese enfim - Ser Puro - se ela se mostrar inegável, ao termo do percurso.
O que se impõe desde o começo, - quando se coloca o real em questão - conduz àquilo que se encontrará depois (logicamente) suposto, e não menos certo por ser desvelado ao término de um processo discursivo (cuja validade se terá examinado, aliás, no decorrer do exercício).
O conjunto da pesquisa repousa portanto, para começar, sobre uma Fenomenologia rigorosa e atenta, ao mesmo tempo aberta a tudo o que parece-ser. Por um método cujo valor poderemos melhor julgar na prática, opera-se em cada caso uma espécie de redução eidética: analisa-se, ou seja, dissolve-se, para verificar o que resta e o que supõe portanto a própria aparência para ser tal. A Fenomenologia analítica opõe assim àquilo que “pretende ser” prematuramente um absoluto, uma recusa perpétua. Numerosos absolutos teóricos se encontram desse modo dissolvidos. Mas o caminho não está fechado para uma pesquisa ulterior, está aberto ao contrário. A fenomenologia introduz desde então na primeira hipótese cuja insuficiência a ontologia por sua vez revela, para conduzir com um passo inelutável à necessidade daquilo que se põe no Fim, e que é positivamente o Horizonte presente no coração de todas as coisas.