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No curso de 1940 sobre o niilismo europeu, ao tratar do fim da metafísica, a tese heideggeriana situa Nietzsche como uma metafísica da subjetividade absoluta da vontade de potência, distinguindo essa absolutidade da subjetividade absoluta em Hegel, embora reconheça que a denominação de subjetividade absoluta valha também para Hegel.
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A absolutidade da subjetividade hegeliana é caracterizada como unidade do querer e do saber, isto é, como espírito, ao passo que a absolutidade da subjetividade nietzschiana é caracterizada como carne, pulsões e afetos, isto é, como vontade de potência.
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A essência do homem desempenha papéis distintos nessas duas figuras da subjetividade incondicionada, mas a história da metafísica fixa de modo universal o homem como animal racional, de tal maneira que, em Hegel, a racionalidade especulativo-dialética determina a subjetividade, e, em Nietzsche, a animalidade torna-se o fio condutor.
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Consideradas em sua unidade de essência historial, as duas metafísicas levam racionalidade e animalidade à validade absoluta, de modo que Nietzsche completa Hegel ao elevar à subjetividade absoluta o componente animal que Hegel reabsorve no espírito, enquanto Hegel completa Nietzsche ao elevar à subjetividade absoluta o componente racional que Nietzsche submete à carne.
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A divergência entre ambos se concentra na ênfase, pois Hegel acentua a racionalidade e assume a filosofia como empreendimento levado adiante com radicalidade, ao passo que Nietzsche insiste na animalidade e interroga se a filosofia até então não teria sido uma explicitação da carne e uma incompreensão da carne.
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A absolutização da determinação subjetiva do ser do ente, realizada no horizonte da definição do homem como zoon logon ekhon, inaugura o acabamento da metafísica.