Emergência da cronometração: sol e dia como utensílio de datação e fundamento existencial do relógio
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A preocupação opera já sob a perspectiva de um cálculo astronômico e calendárico do tempo mediante um relógio, e essa prática responde à necessidade existencial de clareza do Dasein circunspectivo para ocupar-se do ente à-mão.
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Exposto à luz solar e à alternância do dia e da noite, isto é, do visível e do invisível, o Dasein toma o tempo a partir de um ente cuja finalidade é afim à circunspecção, de modo que “quando a aurora se levanta, é tempo para…”.
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O sol é descoberto como utensílio que data o tempo explicitado na preocupação e, dessa datação, nasce a medida “mais natural” do tempo, o dia, pois o tempo é tomado a partir de um retorno regular intramundano.
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A necessidade de medir decorre da finitude da temporalidade, pois os dias são já contados e o “durante que é dia” permite determinar com previsão o “em breve” do que ocupa, o que implica dividir o dia segundo a exigência da tarefa.
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Como o ente a partir do qual se data e se conta pertence à natureza intramundana patente a todos, a cronometração confirma a publicidade do tempo, e, com a temporalidade do Dasein lançado e entregue ao mundo, algo como um relógio é já descoberto como ente à-mão cujo retorno regular se tornou acessível à preocupação atenta.