Unidade fenomenológica do motivo: a carne espacializante como origem comum da destemporalização de angústia, compreensão e discurso
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A destemporalização dos constituintes do “lá” não é apenas um efeito negativo, pois remete a uma única origem fenomenológica que se deixa entrever como presupposição adversa: a carne espacializante, a entrecruzada das mãos.
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A angústia escapa à temporalidade porque é modo eminente de encarnação e abertura da região em geral, e a compreensão perde a exclusividade de seu sentido temporal porque é disposta propriamente pela angústia encarnada e porque o “enquanto” conserva uma marca espacial indelével.
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O discurso, exprimindo-se numa língua regida por representações espaciais, é atravessado pelo espaço, e a expressão do Dasein no discurso concerne ao ser-jogado-ao-mundo revelado pela disposição, de modo que a disposição encarnada não pode deixar de afetar o discurso.
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A entonação, a modulação e o tempo da fala testemunham a investidura carnal do discurso, e a comunicação das possibilidades existenciais do sentimento de situação pode tornar-se o fim próprio de um discurso poético, que aparece então como melodia da encarnação.
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A destemporalização do “lá” deixa transparecer a carne espacializante que se encarna e espaça sem ser nem tempo, escapando a toda ontologia, e isso implica que o ente encarnado é impensável sob o nome de Dasein quando a unidade regulada pela temporalidade se dissipa.