Impõe-se, por isso, uma nova epoché de tipo singular.
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Tudo o que remete, direta ou indiretamente, à subjetividade alheia é excluído do campo temático.
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Não se trata de repetir a redução fenomenológica geral nem de instaurar uma solidão mundana.
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Tampouco se trata de reduzir-se ao fenômeno do ego humano, pois este já remete aos outros.
O objetivo é delimitar o nexo total da intencionalidade atual e potencial no qual o ego constitui em si mesmo uma esfera própria, designada como esfera do próprio.
2. Tripla abstração constitutiva da redução ao próprio
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Primeira abstração: exclusão da animalidade egoica.
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Animais possuem algo como uma estrutura de eu e são sujeitos de uma vida consciente.
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A fenomenologia da animalidade pressupõe a intersubjetividade.
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A redução ao próprio deve, portanto, abstrair também dessa forma de egoidade.
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Segunda abstração: exclusão da cultura.
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Tudo o que é derivado culturalmente deve ser posto fora de jogo.
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A dificuldade dessa abstração é reconhecida, mas não tematizada neste estágio.
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Terceira abstração: exclusão da Umweltlichkeit.
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O mundo circundante é considerado um conceito espiritual.
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A analítica heideggeriana da mundanidade é tratada como ontologia regional e, por isso, redutível.
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O resultado dessas abstrações não é a destruição do mundo, mas a delimitação de um estrato fenomenal coerente.
3. Experiência do próprio como condição da experiência do outro
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A redução ao próprio preserva um estrato unitário do fenômeno mundo.
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Nenhuma experiência do mundo é possível sem a experiência do próprio.
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A experiência do próprio é apresentada como essência da experiência.
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Essa tese aproxima a fenomenologia de um princípio kantiano fundamental.
4. Natureza incluída no próprio e heterogeneidade da esfera
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Da redução resulta uma natureza incluída na esfera do próprio.
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Essa natureza é caracterizada pela heterogeneidade.
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No interior dessa natureza, a carne aparece como absolutamente singular.
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A carne não é apenas um corpo entre outros.
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Ela é o único objeto ao qual se atribuem campos de sensação.
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Ela é o único objeto no qual o ego governa imediatamente.
5. Carne como meio universal da doação e da ação
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A carne é apresentada como meio universal da doação dos corpos.
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A constituição da carne é pressuposta por toda constituição de coisas.
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A carne é simultaneamente:
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Ela é aquilo que é mais originalmente próprio.
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Sem tematização da carne, a fenomenologia arrisca perder seu radicalismo.
6. Heterogeneidade interna: carne e corpo