REFLEXÕES FENOMENOLÓGICAS SOBRE A TEORIA DO SUJEITO (3) (1990)

Data: 2025-10-31 08:06

Le statut du phénoménologique

ÉPOKHÈ n. 1

Ao dizer “eu” (Ich-Sagen), estou consciente de mim mesmo. A autoconsciência possui a estrutura de um “saber” surpreendente, de tal forma que, na realidade, não é possível separar nela o saber e o conteúdo da consciência. O Eu não “é” previamente e não alcança intermitentemente um conhecimento de si mesmo. Ele só existe no conhecimento de si mesmo e como conhecimento de si mesmo. Ele só existe como certeza de si mesmo. Isso pode parecer confuso à primeira vista, pois todos vivem com a ideia de que esse Eu também existe quando dorme, quando não sabe nada de si mesmo. No estado de vigília, certamente, o “eu penso” “acompanha” todas as minhas representações. Toda percepção parte de mim, toda lembrança é uma lembrança na qual me lembro, todo ato voluntário é expressão da minha vontade. Certamente, sem dúvida, diz-se assim, a consciência do Eu como momento de vigilância da minha vida tem a particularidade de que o conhecimento e o conteúdo da consciência são inseparáveis.


ÉPOKHÈ. Le statut du phénoménologique. Grenoble: Millon, 1990. v. N. 1.