REFLEXÕES FENOMENOLÓGICAS SOBRE A TEORIA DO SUJEITO (2) (1990)

Data: 2025-10-31 07:46

Le statut du phénoménologique

ÉPOKHÈ n. 1

A liberdade humana já se manifesta na reflexividade do Eu, nessa estrutura complexa da consciência, particularmente emaranhada. No olhar “abstrato” da análise da consciência, tocamos um terreno problemático mais profundo, cuja compreensão “fenomenológica” parece muito duvidosa. Sem dúvida, o Eu pode ser descrito de certa forma, pode ser fixado pela descrição como o “pólo” de todos os atos, de todas as experiências intencionais, como o centro de onde partem os múltiplos raios de atos para se reunirem na unidade do objeto. Do ponto de vista do ato, temos fenomenologicamente o direito de dizer que o Eu “aparece” em cada ato. Ele é o que experimenta o ato, o que anima o ato ao realizá-lo. Mas isso não aparece como um momento “dado” no ato, não é de forma alguma um “datum”. O Eu não se forma como se houvesse uma sequência de atos que todos comportassem em si um raio do Eu, que formassem um Eu, é antes a unidade prévia do Eu que é a pressuposição a partir da qual uma sequência de atos pode ocorrer. O Eu precede a diversidade de cada raio do Eu apto a agir. Não se consegue realmente pensar o Eu quando se o toma apenas como um momento descritivo de realizador de ato. Ele anima, como o “quem”, toda a vida dos atos, mas isso não significa que ele seja nada mais do que um centro de atos. Mas o que é positivamente o Eu?


ÉPOKHÈ. Le statut du phénoménologique. Grenoble: Millon, 1990. v. N. 1.