Heidegger reconhece em Max Weber, ao lado de
Dilthey e
Scheler, um pensador cuja grandeza reside em ter enfrentado, com uma radicalidade que queima as naus atrás de si, aquilo que a época prepara e da qual temos apenas pressentimentos obscuros—uma nova configuração do humano que não se deixa nivelar por um humanismo arcaizante e antiquário. Weber, em especial através das conferências
A Ciência como Vocação e
A Política como Vocação, diagnostica o destino da época moderna como um processo de racionalização e intelectualização que culmina no “desencantamento do mundo”, no desaparecimento das “últimas e mais sublimes valores” da esfera pública e na previsão de uma “noite polar” de obscuridade e frieza, independente de qual facção vença politicamente. Este diagnóstico trágico da modernidade ressoa profundamente no pensamento heideggeriano inicial, que o assume como ponto de partida ineludível.