1 Experiência pura

NISHIDA, Kitarō. An inquiry into the Good. Tradução: Masao Abe. New Haven, Conn.: Yale Univ. Press, 1992.

1. Experimentar significa conhecer os fatos tal como eles são, conhecer em conformidade com os fatos renunciando completamente às próprias fabricações, e o que usualmente chamamos de experiência está adulterado com algum tipo de pensamento, de modo que por pura me refiro ao estado da experiência tal como ela é, sem a menor adição de discriminação deliberativa.

2. É, como a sensação e a percepção, uma espécie de experiência pura, e concedido isto, qual é o estado dos fenômenos do sentimento e da vontade?

3. Consideremos agora brevemente as características desta experiência direta e pura que é a causa de todos os fenômenos mentais.

4. Em seguida, precisamos determinar a extensão da síntese da experiência pura.

5. Nestes fenômenos mentais, a percepção mantém uma estrita unidade e conexão; quando a consciência se move de uma coisa para a próxima, a atenção é sempre dirigida para as coisas percebidas e cada ato dá origem ao próximo sem a menor fenda entre eles para o pensamento entrar.

6. A diretidade e pureza da experiência pura derivam não do fato de a experiência ser simples, inanalisável ou instantânea, mas da estrita unidade da consciência concreta.

7. Nem mesmo uma percepção instantânea diverge disto.

8. Isto vale também para experiências representacionais e perceptuais.

9. Delineemos agora em mais detalhe o significado da unidade da consciência e o caráter da experiência pura.

10. Quando uma consciência começa a emergir, uma atividade unificadora, na forma de um sentimento de inclinação, a acompanha.

11. Assumindo que podemos argumentar que a consciência é inteiramente impulsiva, e que como sustentam os voluntaristas a vontade é a forma fundamental da consciência, então o modo do desenvolvimento da consciência é, num sentido amplo, o modo do desenvolvimento da vontade, e a mencionada inclinação unificadora é o objetivo da vontade.

12. Afirmei que a experiência pura é a intuição dos fatos tal como eles são e que é desprovida de significado.

13. Assumindo que a experiência pura é dotada de discriminações, quais são os significados ou juízos adicionados a ela e como eles se relacionam com a experiência pura?

14. Independentemente de sua natureza, enquanto a consciência mantém uma estrita unidade ela é uma experiência pura: é simplesmente um fato.

15. Quando um juízo foi gradualmente refinado e sua unidade se tornou estrita, o juízo assume a forma de uma experiência pura.

16. Se assim consideramos mesmo o significado como derivado da atividade de uma grande unidade, então a experiência pura transcende sua própria esfera?