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A experiência concreta constitui a unidade imediata dos atos de consciência, mas o sentimento e a vontade apresentam seus conteúdos em níveis distintos: a beleza manifesta a vida, enquanto a vontade se dirige à realização efetiva dessa vida; por isso, um amor representado artisticamente pode ser belo sem se tornar, por esse motivo, uma norma de conduta.
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A realidade concreta desenvolve-se pela relação inseparável entre ato e conteúdo, e sua unidade não se reduz à soma de elementos já dados: cada ato se constitui internamente, cria sentido e participa de uma continuidade de atos que não pode ser inteiramente convertida em objeto de conhecimento.
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A liberdade apresenta graus, desde a percepção e a imaginação até a consciência de si, na qual o mundo objetivo passa a integrar a atividade do si; a profundidade dessa liberdade manifesta-se na busca da verdade, na experiência estética e na consciência moral.
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O fenômeno espiritual nasce da unidade que atravessa a desunião e da harmonia que se constitui na contradição; sua realidade própria aparece onde a explicação biológica de processos isolados não alcança o sentido da atividade consciente.
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A purificação dos atos lhes confere validade que ultrapassa a perspectiva individual, mas também aprofunda a singularidade do si: quanto mais o conteúdo da experiência se universaliza, mais claramente se manifesta a individualidade capaz de reunir seus diferentes atos.
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Agir consiste em reunir o mundo objetivo a partir de um centro singular, numa relação em que si e coisas se afetam reciprocamente; a vontade pressupõe uma unidade mais profunda que a oposição entre interior e exterior.
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Desejos, afetos e expectativas expressam essa relação ativa com o mundo: o objeto desejado confronta o si porque participa de sua própria vida, e o conflito com a realidade torna visíveis contradições internas à atividade do sujeito.
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A vontade avança de uma configuração do si a outra ao desfazer uma unidade limitada em busca de outra mais profunda; a satisfação realiza um desejo determinado, mas também encerra essa sua forma e abre a possibilidade de novo desenvolvimento.
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A liberdade da vontade reside na realização singular de conteúdos universais, e não na mera conformidade com leis abstratas: o si aprofunda sua particularidade ao agir, tornando efetiva uma possibilidade entre inúmeras outras.
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O sentimento possui conteúdo próprio e diferenciado, que não pode ser reduzido às categorias gerais de prazer e desprazer; na criação artística, esse conteúdo aparece como unidade viva entre o si, seus atos e aquilo que se exprime.
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A produção do conteúdo estético ultrapassa a previsão intelectual de um resultado acabado: o ato criador desenvolve-se a partir de uma profundidade ainda não conhecida, na qual tensões que seriam contradições para o conhecimento adquirem fecundidade positiva.
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O pensamento também se transforma por contradições internas, pois a análise de conteúdos distintos pressupõe uma unidade concreta que os reúne e que se torna mais clara à medida que as diferenças são explicitadas.
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Na realidade concreta, o universal participa do desenvolvimento do particular; a verdade deixa de ser apenas uma relação abstrata quando atua na formação da individualidade, da ação e da cultura.
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A cultura começa com a transformação do próprio si: a arte descobre vida e sentido na natureza sem reduzi-la a instrumento de uso, tornando possível uma relação expressiva com o mundo.
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A criação artística ultrapassa tanto a reação instintiva quanto a ação utilitária, pois sua abertura ao mundo se funda num amor pela vida capaz de compreender o objeto em sua própria profundidade.
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O amor reúne exigências diferentes sem suprimi-las e permite compreender a ação de outra pessoa para além do interesse próprio; nessa unidade concreta, o conflito dos desejos do si e do outro encontra uma possibilidade de transformação.
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A profundidade do si inclui alegria, tristeza e um tempo interior que a razão abstrata não esgota; a ligação com essa vida mais ampla, realizada no amor, não dissolve a individualidade, mas participa de sua criação.
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O conteúdo estético surge quando o universal se exprime no particular sensível, de modo que a beleza depende da atividade concreta capaz de fazer uma forma singular manifestar uma vida mais abrangente.
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Sentimento e vontade pertencem à atividade espiritual, mas a vontade em sentido estrito distingue-se porque reconhece mais claramente seu objeto e se dirige à existência efetiva, ao passo que a arte exprime um conteúdo pessoal ainda não plenamente determinado como fim da ação.
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Na criação artística, o movimento expressivo pode desenvolver-se sem que seu sentido seja antecipadamente conhecido; essa abertura provém da liberdade do si e faz do mundo exterior uma expressão de sua vida, em vez de um simples meio para seus interesses.
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A consciência não é um espelho que reproduz objetos previamente prontos: ela se constitui na relação dinâmica entre ato e objeto, especialmente quando horizontes mais restritos e mais abrangentes se confrontam e se unificam.
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O reconhecimento de outras pessoas torna possível a consciência pessoal de si, pois ninguém se constitui como pessoa isoladamente; a vontade moral explicita, na relação entre pessoas, um conteúdo que permanecia implícito na experiência estética.
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Arte e moralidade procedem da mesma vida pessoal, mas a moralidade reúne seus conteúdos na exigência concreta de realização do si; a arte que manifesta profundamente a vida não se reduz à promoção de virtudes, assim como a moralidade viva não se reduz à repetição de regras.
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Desejos corporais, conflitos e ações más podem adquirir valor estético quando aparecem como momentos significativos de uma vida humana mais ampla; isolados dessa profundidade, permanecem descrições parciais sem força criadora.
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A lei moral exprime o desenvolvimento do conteúdo pessoal e a formação de relações entre pessoas; uma regra que impeça a manifestação da vida humana integral contradiz a exigência que confere sentido à própria moralidade.
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A sociedade constitui o lugar em que pessoas se reconhecem, agem e criam um mundo cultural; nela, a unidade moral articula a multiplicidade dos atos pessoais sem reduzi-los a processos naturais.
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O belo inclui uma direção dinâmica que pode manifestar-se como sublime: a desarmonia, a tensão e a consciência de uma profundidade ainda inalcançada participam da beleza quando exprimem o desenvolvimento da personalidade.
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A ação moral torna efetiva, no mundo comum, uma unidade pessoal que na experiência estética permanece em parte como possibilidade; a sociedade moral surge da atividade criadora pela qual diferentes pessoas dão forma a uma vida compartilhada.
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Cada arte possui uma relação própria com seu material sensível: cor, forma e som não são suportes indiferentes de um sentimento idêntico, pois o conteúdo estético se desenvolve internamente nas possibilidades expressivas de cada experiência.
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O sentimento do sublime manifesta a profundidade de uma atividade criadora que excede a representação conceitual; o conteúdo estético ultrapassa, assim, a explicação intelectual sem se opor ao conhecimento ou se confundir com fantasia arbitrária.
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A singularidade de uma obra depende da unidade viva entre sensação e sentimento: uma emoção meramente associada de fora a determinada cor ou som ainda não constitui o conteúdo próprio da criação artística.
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A exigência moral nasce da vida pessoal e alcança sua forma livre no respeito a outras pessoas; o conteúdo ainda latente na percepção estética torna-se ação efetiva no mundo das relações humanas.
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A arte exprime a vida espiritual no campo da percepção, enquanto a moralidade a realiza no mundo histórico: ambas são atividades criadoras do si livre, mas a ação moral reúne mais plenamente os conteúdos da pessoa.
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A sociedade moral pode ser compreendida como obra da razão em atividade, pois linguagens, costumes, instituições e leis surgem de relações criadoras entre pessoas e possuem realidade histórica própria.
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A passagem de uma possibilidade pessoal à ação determinada não constitui simples perda de riqueza interior: aquilo que se realiza adquire uma dimensão efetiva e pode abrir novas possibilidades para a vida individual e coletiva.
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Disciplinar os impulsos corporais na ação moral significa integrá-los ao desenvolvimento da pessoa, permitindo que contribuam para uma unidade de vida mais ampla.
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O valor da técnica artística depende da vida que nela encontra expressão; a arte conserva a especificidade de seus meios, mas sua profundidade exige que forma e conteúdo participem do desenvolvimento da vida humana.
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Sentimento e vontade constituem conteúdos pessoais do ato, enquanto o conhecimento tende a determinar conteúdos objetivos; o ato de conhecer não pode ser apreendido como mais um objeto conhecido, assim como ouvir não equivale a ouvir o próprio ouvir.
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A explicação fisiológica ou associativa de uma experiência pode esclarecer seus processos, mas, se todo o conteúdo do si for reduzido a esses mecanismos, desaparece a unidade ativa pela qual os acontecimentos adquirem sentido para a consciência.
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Uma sucessão de percepções pode ser descrita como mudança de objetos; a reflexão, a memória e o julgamento introduzem outra dimensão, na qual o si reconhece relações entre experiências e estabelece uma continuidade interior.
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O julgamento possui conteúdo e validade que ultrapassam a vivência privada, mas sua objetividade não explica, por si só, a consciência imediata do ato de julgar; fazer do julgamento um objeto de outro julgamento apenas desloca a dificuldade.
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A consciência direta do si funda-se na atividade anterior à reflexão objetivadora: no esforço voluntário, o si apreende seu ato pela própria realização de uma unidade orientada a um fim.
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O conteúdo positivo dos atos de ver e ouvir manifesta-se nas tonalidades próprias da experiência sensível e afetiva, enquanto o conteúdo objetivo das proposições pertence ao domínio do conhecimento.
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Sentimento e vontade particularizam a experiência ao reunir conteúdos universais numa unidade singular de vida; a compreensão expressiva e afetiva dessa unidade sustenta também a possibilidade da compreensão intelectual.
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A vontade constitui a fase mais determinada desse movimento de particularização: entre possibilidades múltiplas, uma direção se realiza no mundo, incluindo em sua ação o campo dos objetos conhecidos.
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A beleza possui significado para a vida humana, mas sua manifestação sensível não basta para constituir diretamente o bem; este exige a realização efetiva do conteúdo pessoal pela vontade.