Ethos

NELSON, Eric S. Heidegger and Dao: things, nothingness, freedom. London New York Oxford New Delhi Sydney: Bloomsbury Academic, 2024

1. Heidegger deixou legado problemático e instigante, exigindo o utopismo do campo que informou seu interesse pelo daoismo interpretação crítico-ideológica diferenciada, requerendo sua situação hermenêutica pensar através da ambiguidade e complexidade, pois o bem e o mal só aparecem na finitude e imperfeição da vida.

2. O nada gerativo daoista, o vazio da forma budista e a clareira aberta do ser em Heidegger transmitem modelos orientacionais exemplares de ser relacionalmente livre e responsivo no mundo com coisas e ambientes, revelando em seus momentos radicais três modos distintivos de desfazer transformativamente a hipostatização experiencial e linguística e de liberar o si e as coisas.

3. Há dois problemas iniciais que confrontam essa abordagem de Heidegger, sendo o primeiro que suas categorias formalmente indicativas de cuidado, ser-com e saltar-adiante estavam restritas à existência humana em Ser e Tempo.

4. A filósofa berlinense Katharina Kanthack argumentou que essa neutralidade não implica indiferença ética, o que significaria esquecimento do cuidado, mas conduz a um ethos de ser-com relacional e conhecimento ético de si e do outro (Kanthack 1958 e 1964).

5. O Heidegger tardio oferece modos instrutivos de reorientar e expandir seu discurso anterior, falando não de ética, com suas regras e virtudes fixas, mas de ethos ou “ética originária” (GA9: 356), articulando um ethos mais fundamental que a ética e uma permanência mortal e mundana na abertura ao mistério, mais originária que o ethos (GA98: 345).

6. A aspiração condutora destes capítulos é reinterpretar e reimaginar o pensamento do ser em Heidegger e sua ética originária dados seus elementos ziranistas e nossa situação hermenêutica, sendo sua tese primária que, entrelaçado com fontes daoistas e outras interculturais, o caminho de Heidegger procede da filosofia ocidental paradigmática da dação disponível e da mera presença.

7. A escuridão nutridora e o mistério do nada, e a abertura ocultante-desocultante que caracterizam o pensamento do ser em Heidegger, são, quando interpretados como porte e ethos, elementares para o encontro responsivo e a habitação com as coisas na clareira-mundo.