§1. Corrente Originária e Corrente Constituída da Consciência: A corrente originária da consciência é um puro devir, um fluxo contínuo e indiviso no qual cada nova fase brota da anterior sem que se possa perguntar “por meio de quê” este devir é produzido. Não há aqui um “ser-efetuado” ou uma conexão causal entre fases; trata-se de um continuum uno e expansivo. Contudo, deste fluxo originário emergem unidades discretas e duráveis, as vivências (Erlebnisse), que se constituem através de um processo de persistência modificada do vivido: o que “concluiu” seu devir vivo não submerge no nada, mas persiste em uma modificação (como “passado ainda vivo” e, posteriormente, como consciência oca ou “cadáver” da vivência). Esta persistência permite a formação de uma corrente constituída, que preenche o tempo fenomenológico com uma sucessão de vivências, cada uma com sua duração, e onde coexistem, em cada fase momentânea, o que está entrando na vida, o que ainda vive e o que já se extinguiu. A unidade da corrente é garantida pelo Eu (Ich) que vive este fluxo e carrega consigo todo o rastro do passado.