Os novos deuses, associados majoritariamente ao masculino, sustentam uma lei universal destacada, sem exceções para indivíduos, famílias ou cidades.
Em contraste, as Erínias definem justiça como expulsar de casa os que derramam sangue de parentes, estabelecendo a vingança como norma.
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A concepção de justiça das Erínias é descrita como estranha ao mundo de Homero e como reprimida pela cultura homérica.
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As Erínias são apresentadas como indignadas por terem sido separadas e empurradas para baixo da terra pelos deuses do céu no Olimpo.
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A resposta delas afirma força, autoridade, memória do mal e inflexibilidade diante de súplicas humanas.
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O conflito entre deuses antigos e novos é posto como central à concepção de cultura ateniense clássica.
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Esse conflito é dito desdobrar-se em formas cada vez mais crescentes e sutis.
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A forma inicial e mais direta é localizada em Agamêmnon, a primeira peça da trilogia.
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Agamêmnon é apresentado como general que conduziu a campanha de dez anos contra Troia, e Menelau como irmão cujo adultério motivou a guerra.
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Um episódio trágico anterior à guerra é posto como pano de fundo da trilogia.
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O coro recorda o episódio logo no início e enfatiza o dilema devastador.
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O conflito de Agamêmnon é interpretado como foco no qual se concentra a batalha entre deuses antigos e novos.
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O contraste com Odisseu é explorado.
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Odisseu é descrito como alternando papéis de pai, rei e aventureiro no tempo apropriado a cada um.
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Não se encontra em situação de escolher um mundo contra outro, e o politeísmo permite coexistência de múltiplos papéis sem necessidade de reconciliação.
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A tendência monoteísta à unidade em Ésquilo torna visível o conflito gerado por múltiplos papéis e exige resolução cultural satisfatória.
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O início propriamente dito da ação é situado no retorno de Agamêmnon após a guerra.
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Clitemnestra, esposa de Agamêmnon, é apresentada como tomada por ira.
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A perda de Ifigênia é indicada como motivo central, mas não único.
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Acrescenta-se a presença de Cassandra, escrava troiana trazida por Agamêmnon, como motivo de ciúme.
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A posição de Clitemnestra é complexificada pelo fato de ela ter iniciado um caso com Egisto durante a ausência do marido.
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Os detalhes salaciosos e a maldição de gerações são mencionados como componentes trágicos, mas deslocados como irrelevantes para o ponto buscado.
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O evento decisivo é apresentado de modo concentrado.
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A ação de Clitemnestra é descrita como sobredeterminada, mas estrategicamente justificada por referência às Erínias de Ifigênia.
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Ela afirma ausência de vergonha e apresenta a morte como resposta ao assassinato inicial cometido por Agamêmnon dentro da casa.
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A justificativa recorre à reciprocidade do sofrimento, associando o sangue da filha ao sangue do pai.
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A dificuldade emerge da duplicidade do ato.
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Como vingança pela filha, o ato é conforme às Erínias.
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Como assassinato do rei, ele é ab-rogação da lei universal odiada pelos novos deuses.
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O coro, figura do senso comum ateniense, é apresentado como oscilando entre as duas leituras.
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De um lado, afirma-se a correção da raiva por raiva e do pagamento pelo que matou.
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De outro, enfatiza-se o horror do regicídio traiçoeiro, figurado como morte indecente numa armadilha.
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A justificativa do ato é declarada depender do nome divino sob o qual se compreende a ação, isto é, dos deuses antigos ou dos novos.
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O problema torna-se mais agudo em As Coéforas, a segunda peça.