Impossibilidade de resolver a questão do Ser nos termos da consciência, acompanhada da necessidade de reconhecer a esfera da consciência como acesso inevitável à questão.
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Afirmação de que a consciência não fornece a verdade do Ser, mas constitui o âmbito no qual a questão do Ser se torna acessível.
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Indicação do regresso à consciência como momento metodológico necessário, embora intrinsecamente limitado.
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Referência ao texto sobre a ideia de fenomenologia como lugar em que se determinam simultaneamente as prerrogativas e os limites da consciência.
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Dasein transcendente como base fenomenal adequada para a determinação do sentido do Ser.
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Rejeição de uma análise centrada na constituição intrínseca da transcendência.
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Ênfase na unidade essencial entre transcendência, tonalidades afetivas ontologicamente compreendidas e Geworfenheit.
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Determinação da dependência referencial do Dasein em relação ao ente enquanto traço constitutivo.
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Existência como modo de ser próprio do Dasein, irredutível à autoconsciência.
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Definição de existência como o ser daqueles entes que estão abertos à abertura do Ser.
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Restrição do termo existência ao homem enquanto Dasein.
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Distinção rigorosa entre existência e qualquer acepção tradicional de esse.
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Inadequação da definição do Dasein em termos de ser-si-mesmo.
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Negação de que a existência consista formalmente na ipseidade.
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Afirmação de que o ser-si-mesmo pressupõe uma relação sujeito-objeto.
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Determinação do ser-no-mundo como aquilo que torna possível qualquer relação sujeito-objeto.
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Transcendência como projeção do ser do ente.
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Compreensão do ser-no-mundo como condição prévia de toda relação cognitiva.
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Definição da transcendência como o ato pelo qual o ser do ente é projetado.
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Rejeição da redução do Dasein a um polo subjetivo frente a objetos.
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Introdução do
esse intentionale como ordem de realidade irredutível.
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Identificação, em
Tomás de Aquino, de uma ordem de existência distinta do esse entitativum.
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Caracterização do esse intentionale como esfera em que sujeito e objeto se unem num único modo suprassubjetivo de existir.
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Distinção dessa ordem tanto do sujeito conhecente quanto do objeto conhecido enquanto tais.
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Inadequação do esquema sujeito-objeto para pensar o conhecimento em sua raiz.
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Afirmação de que o esse intentionale não é nem substância nem acidente.
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Reconhecimento de sua pertença a uma ordem distinta da entitativa.
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Indicação de que o pensamento subjetivista é estruturalmente incapaz de apreender essa ordem.
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Conhecimento como ato não produtivo.
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Negação de que o conhecer pertença às categorias de agir ou padecer.
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Afirmação de que conhecer não consiste formalmente na produção de algo.
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Distinção entre o ato de conhecer e a produção de imagens ou conceitos como meios e condições derivadas.
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Caracterização do conhecimento como ação imanente.
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Classificação tradicional do conhecer como ação vital pertencente ao predicamento da qualidade.
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Reconhecimento do caráter apenas derivado dessa classificação predicamental.
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Ênfase na irreducibilidade formal do conhecer à ontologia da substância e do acidente.
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Esse intentionale como condição da possibilidade e da atualidade do conhecimento.
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Definição do esse intentionale como aquilo que torna possível e atual o pensamento.
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União suprassubjetiva entre conhecente e conhecido.
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Superação da alternativa entre subjetivismo e realismo ingênuo.
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Oposição originária entre esse intentionale e esse entitativum.
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Derivação do conceito de esse intentionale a partir de sua oposição ao ser da coisa extramental.
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Afirmação de que o esse intentionale não é dado como objeto direto da experiência.
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Caracterização de seu modo próprio de ser como mediação que desaparece diante do objeto.
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Conhecimento como estar-fora-sem-sair.
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Afirmação de que o pensamento não precisa sair de si para atingir o ente extramental.
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Compreensão da imaterialidade do conhecer como vida superior à espacialidade.
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Paralelo com a tese heideggeriana segundo a qual o Dasein está sempre já fora, junto aos entes do mundo.
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Intencionalidade como propriedade da imaterialidade do pensamento.
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Definição da intencionalidade como integração do ente extramental no ato do pensar.
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Existência suprassubjetiva comum do pensamento e do pensado.
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Superação da concepção da intencionalidade como mero direcionamento interno da consciência.
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Dasein como condição da intencionalidade.
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Impossibilidade de compreender a intencionalidade sem a instância originária do estar-no-aberto.
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Interpretação do ser em Bewusstsein e Selbstbewusstsein como indicação do caráter existencial do homem.
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Articulação entre compreensão do Ser e possibilidade do conhecimento.
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Esse intentionale como relação e não como termo de relação.
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Determinação do esse intentionale como a própria relação constitutiva.
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Negação de sua pertença aos polos da relação sujeito-objeto.
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Aproximação com a definição heideggeriana do Ser como relação que sustenta a ek-sistência.
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Função libertadora do esse intentionale.
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Afirmação de que o esse intentionale não encerra o ente em seus limites naturais.
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Existência do ente na alma segundo um modo distinto de sua existência própria.
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Fundamentação da possibilidade do conhecimento na imperfeição constitutiva do sujeito finito.
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Origem do erro e da ilusão.
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Derivação do erro da disparidade entre os modos de existir do entitativo e do intencional.
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Rejeição da concepção do conhecimento como cópia material da coisa.
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Reconhecimento de um abismo estrutural entre o modo de ser do pensamento e o modo de ser da coisa.
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O conceito como signo formal.
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Definição do conceito como signo formal e não como objeto conhecido.
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Caracterização do conceito como praecognitum conhecido formaliter.
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Função do conceito como forma atualizante do conhecimento do objeto.
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Compreensão pré-conceitual do esse intentionale.
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Afirmação de que o esse intentionale é conhecido previamente e não de modo reflexivo.
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Situação desse conhecimento em nível pré-conceitual e pré-consciente.
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Condição necessária, embora não suficiente, do reconhecimento da independência dos entes.
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Ser como compreensível no Dasein.
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Afirmação de que o Ser pode permanecer não conceituado, mas nunca inteiramente incompreendido.
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Vínculo essencial entre Ser e compreensão.
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Associação tradicional entre Ser e verdade como indicação desse vínculo necessário.
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Distinção decisiva entre ordens entitativa e intencional.
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Rejeição da redução do esse intentionale a acidente do sujeito.
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Afirmação de que o conhecer, tomado na linha pura do conhecer, não está na alma como em um sujeito.
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Situação do esse intentionale fora de toda ordem entitativa.
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Paralelo entre diferença ontológica e distinção tomista.
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Analogia entre a distinção ente-Ser e a distinção entre esse entitativum e esse intentionale.
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Cisão do homem em dimensão ontológica e dimensão ôntica.
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Aproximação entre análise fundamental do Dasein e investigação do esse intentionale.
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Dasein como unidade de duas dimensões.
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Dimensão existenciell ou ôntica, segundo a qual o Dasein é um ente entre entes.
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Dimensão existencial ou ontológica, segundo a qual o Dasein é aberto ao Ser.
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Co-pertença necessária e irredutível dessas duas dimensões.
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Situação de Heidegger no interior da tradição escolástica.
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Interpretação do Dasein como expressão moderna do problema do esse intentionale.
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Inserção da diferença ontológica na tradição da philosophia perennis.
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Necessidade de aprofundar o esse intentionale para além da esfera da consciência.