A suspeita de uma ontodiceia secreta e de uma egoidade oculta do ser, formulada por Jean-Luc
Nancy, recoloca a dúvida sobre uma dialetização do mal em que a discórdia serviria para fazer aparecer a unidade, ao mesmo tempo em que se mantém a possibilidade de uma leitura em que o mal persiste como excesso dissonante não sublimável.
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Jean-Luc Nancy: “secret, imperceptible ontodicy” e “secret egoity”.
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Idealismo da liberdade em que o mal funda a liberdade.
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Dialetização do mal como justificativa.
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Alternativa: mal como excesso não sublável.
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A ambivalência interpretativa entre harmonia final da fuga e assombro permanente do excesso dissonante conduz à via de pensar a negatividade e a finitude essenciais do ser, distinguindo a negatividade heideggeriana da positividade reconciliadora do idealismo e da redução nietzschiana a luta ôntica entre centros egocêntricos de vontade de poder.
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Fuga harmonizadora versus excesso dissonante.
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Distância crítica em relação a
Hegel e Schelling.
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Nietzsche como passo que desvela e ao mesmo tempo limita.
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Strife entre Wesen e Unwesen como não sublativa.
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A doação originária do ser é apresentada como radicalmente ambivalente, podendo curar por graça ou desencadear fúria maliciosa sem “decidibilidade eterna”, de modo que Seinlassen pode ocorrer como es gibt de Ereignis na harmonia do quádruplo ou como Loslassen do Ge-stell enquanto negativo fotográfico de Ereignis que abandona os entes à positividade da desocultação ilimitada e ao standing-reserve do will to will.
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Ambivalência sem garantia final.
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Ereignis e jogo especular do quádruplo.
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Gestell como “photographic negative of Ereignis”.
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Seinsverlassenheit como abandono aos entes e à tecnicidade.
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A consonância de Ereignis com a negatividade própria do ser é afirmada contra o niilismo tecnológico porque o Wesen do ser é a generosidade do retraimento que deixa-ser, ao passo que a cólera do mal é excesso que se alimenta do ocultamento do ocultamento e do esquecimento do mistério.
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Generosidade do retraimento como essência.
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Raging como excesso dissonante.
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Concealment of concealment como motor do mal.
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Oblivion of the mystery como alimento do niilismo.
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A recuperação frente ao niilismo exige acolher o noth-ing do ser e acomodar entre mortais a essência do nada em sua antiga afinidade com o ser, pois a nadidade não desaparece com a superação do niilismo e o perigo máximo reside na exacerbação do retraimento em abandono que produz a ilusão de pura positividade e desloca falsamente a negatividade para a subjetividade e para a maquinaria do will to will.
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Noth-ing (das Nichtende) como via de saída do niilismo.
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Negatividade como abertura do espaço livre do deixar-ser.
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Exacerbação do retraimento como abandono.
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Standing-reserve como efeito do esquecimento da retirada.
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A finitude do ser não é reduzida a jogo indiferente de forças, mas convoca o humano à liberdade e à resposta-abilidade do Da-sein, colocando o “não” e o “sim” como formas essenciais no Da-sein requerido por beyng para corresponder ao jogo de revelar/encobrir.
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Da-sein como requerido/usado por beyng.
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“No” e “yes” como formas essenciais.
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Cor-responder ao revelar/encobrir como tarefa.
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Liberdade como resposta-abilidade finita.
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Um limite inquietante surge quando o mal é tomado sobretudo como niilismo do Gestell e o Holocausto não recebe diferenciação essencial, permitindo a equivalência entre a indústria alimentícia motorizada e a produção de cadáveres nos campos, o que se mostra inadequado por não marcar a profundidade específica do mal radical.
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Mal como culminância tecnológica.
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Holocausto como exemplaridade tecnológica insuficiente.
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Equivalência entre produção industrial de alimento e extermínio.
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Inadequação por apagamento de diferença essencial.
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O horror radical aparece como aniquilação singular da negatividade própria de um humano singular, isto é, como negação voluntariosa da interioridade do Outro que se dá em retração e cuja marca é o rosto no sentido de
Levinas, excedendo a explicação tecnológica por envolver o olhar face a face que reconhece e ainda assim decide aniquilar.
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Singularidade do mal para além do massivo.
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Interioridade do Outro como presença-em-retração.
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Rosto em Levinas como traço da retirada.
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Face-to-face defacement como núcleo diabólico.
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A vontade perversa de poder difere do will to will tecnológico por manter o reconhecimento do Outro precisamente para obter prazer diabólico na conquista da resistência e na visão da dor, excedendo o reducionismo do Outro a peça de máquina e expondo um abismo que não se explica tecnologicamente.
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Wicked will to power como manutenção do reconhecimento.
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Prazer diabólico como finalidade da aniquilação do Outro como Outro.
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Diferença entre redução maquínica e crueldade face a face.
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Mal como vontade que quer a aniquilação da alteridade.
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A necessidade de recuar para pensar um ur-willing como raiz potencial tanto do will to will tecnológico quanto da vontade perversa de poder implica que um limite no pensamento do mal repercute como limite no pensamento da liberdade, recolocando a pergunta sobre que espaço resta para a liberdade humana na preparação de um salto para participação íntima no deixar-ser.
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Ur-willing como raiz prévia das formas históricas de vontade.
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Liberdade vinculada à responsabilidade diante do mal não tecnológico.
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Limite na análise do mal como limite na liberdade.
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Retorno à questão do espaço da liberdade no Da-sein.