Heidegger, obedecendo ao mesmo esquema de pensamento, empreende mostrar que é o próprio tempo que constitui o horizonte da compreensão da noção de ser
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Isso implica não ser mais possível, como tradicionalmente se faz, e como continua fazendo o próprio
Nietzsche, opor ser e devir, chegando Heidegger a falar de “coapertencença originária do ser e do tempo”, modo decisivo de questionar a equivalência tradicional entre ser e eternidade, ser e intemporalidade
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Se a ontologia, ciência do ser, deve ser assim reconduzida à sua condição de possibilidade, a saber certa compreensão do ser no horizonte do tempo, isso implica interrogar o próprio fundamento dessa ontologia
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A questão ontológica encontra sua origem nesse ser particular que é o homem, ser capaz de colocar questões não só sobre os demais seres, mas também sobre o ser que ele mesmo é, sendo a compreensão do ser um modo de ser ou comportamento humano
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Vê-se aqui o quanto a questão ontológica se torna, com Heidegger, a mais concreta das questões, não se tratando de questão sobre as generalidades mais abstratas, mas de questão que concerne àquele mesmo que a coloca, englobando por consequência o próprio questionante
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O ser do homem só está aberto a si mesmo, aos outros e ao mundo na medida em que o ameaça continuamente a possibilidade do fechamento a tudo o que é, sendo preciso pensar o existir sobre fundo de mortalidade e a abertura do ser do homem sobre o fundo de um fechamento mais originário, do qual ele nunca pode se tornar senhor
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A existência do homem, enquanto ser lançado no mundo e ser-para-a-morte, é por consequência essencialmente finita, existindo o homem como temporalidade finita, sendo essa temporalidade finita que constitui o tempo originário, tese essencial de Heidegger em Ser e Tempo, que se opõe à compreensão habitual de um tempo infinito, concepção com a qual o próprio
Husserl ainda não rompera
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A finitude do tempo não se vê mais adossada a uma eternidade que a compreenderia, não se perfilando mais o que a temporalidade de toda existência tem de único sobre fundo de um infinito no qual se aboliria
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É ao contrário, como sublinha Heidegger, o conceito tradicional de eternidade, nele definida como um “agora fixo”, como um nunc stans, que provém da compreensão ordinária do tempo entendido como sucessão infinita de agoras pontuais
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Se, a partir da abordagem do tempo que Heidegger propõe, algo como uma eternidade ainda fosse pensável, isso só poderia ser num sentido inteiramente distinto, a partir de uma temporalidade pensada de modo mais originário, pois não é a partir da eternidade que se pode pensar o tempo, mas é ao contrário a própria eternidade que só se compreende a partir do tempo