O romance moderno herda e metamorfoseia o tema cristão da omnisignificância, onde cada detalhe da criação ou da palavra divina possui sentido inesgotável, como defendido por Tertuliano e
Agostinho; no romance, essa proliferação de detalhes, observada por J.P. Hunter, oscila entre o regime mimético do efeito de real, que simula a contingência, e o regime de omnisignificância, onde nada é fortuito e tudo revela o interior, seguindo a lógica de Balzac influenciada por Cuvier, na qual o meio material é representação do pensamento e o detalhe permite reconstituir o todo.