A profundidade e singularidade da interioridade humana têm origem teológica, pois é a relação com o Deus transcendente e pessoal que singulariza a criatura e aprofunda o abismo interior, tornando o segredo do coração o local onde se joga o destino eterno do indivíduo, uma concepção estranha à antiguidade pagã clássica, para a qual, como ilustrado por
Platão, Luciano ou Eurípides, o interior era apenas um exterior oculto ou dissimulado, sem a densidade do segredo essencial.