Se tudo retorna infinitamente, lembrar equivaleria a suportar um fardo esmagador.
A memória, nesse contexto, converter-se-ia na mais pesada das cargas.
A leveza da vida dependeria, então, do esquecimento sistemático.
-
Kundera e a dialética entre peso e leveza
-
Kundera interpreta o eterno retorno como o peso máximo que recai sobre a existência.
-
A leveza surge como alívio diante desse peso.
-
O peso, embora opressivo, também pode ser expressão de plenitude.
-
Quanto maior o peso, mais a vida se enraíza na terra e se torna verdadeira.
-
Esquecimento como perda da densidade da memória
-
O esquecimento generalizado pode representar uma fuga da densidade própria da memória.
-
Abandonar esse solo implica uma existência rarefeita, desancorada e fragmentária.
-
A leveza obtida pelo esquecimento ameaça dissolver a realidade da experiência humana.
-
Compensação tecnológica e irresponsabilidade mnemônica
-
À medida que o sujeito abdica da responsabilidade por lembrar, aumenta sua dependência de máquinas.
-
O sujeito aproxima-se da condição do animal feliz de Nietzsche.
-
O esquecimento culmina no esquecimento do próprio esquecer.
-
Paralelo com o Último Homem
-
A figura do Último Homem ilustra a satisfação apática resultante da ausência de memória.
-
A memória torna-se um serviço terceirizado.
-
A escolha decisiva entre lembrar e esquecer
-
A questão final reapresenta-se como uma escolha entre peso e leveza.
-
Essa escolha pode já estar comprometida pela amnésia coletiva mediada por máquinas.
-
Contudo, se a doutrina do eterno retorno for questionável, a escolha permanece aberta.
-
Possibilidade da retomada da anamnesis
-
A questão final indaga se ainda é possível lembrar de lembrar.
-
Trata-se de recuperar a responsabilidade pelo lembrar.