Houve esforços para restaurar a dignidade da memória, sobretudo na Idade Média e no Renascimento.
Nessas tradições, a memória conservava um vínculo com o saber sapiencial.
O declínio dessas tradições culmina no século XVII.
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Pragmatização da mnemotécnica no século XVIII
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O renascimento não hermético da mnemotécnica no século XVIII reduz seu alcance.
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A ênfase desloca-se para a memorização de grandes quantidades de dados factuais.
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Técnicas antigas persistem, mas desprovidas de seu horizonte originário.
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A memória é avaliada por critérios quantitativos.
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Antecipação do modelo computacional da memória
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A redução pragmática da memória antecipa a concepção da mente como máquina de cálculo.
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Leibniz ocupa posição decisiva nesse processo.
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A tensão entre esses dois polos anuncia a transformação posterior da memória em função computável.
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Matematização da memória no contexto da ciência moderna
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A matematização da natureza conduz progressivamente à matematização da memória.
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Esse processo prepara o terreno para modelos computacionais contemporâneos.
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Desqualificação filosófica da memória na modernidade clássica
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A memória sofre desvalorização explícita em filósofos centrais da modernidade.
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A dúvida metodológica atinge a memória de modo privilegiado.
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Mesmo quando a dúvida é superada, a memória não é reabilitada.
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Redução racionalista da memória a associações corporais
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A memória é definida como associação de ideias conforme modificações do corpo.
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O lembrar é rebaixado a efeito colateral de processos fisiológicos.
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Consolidação empirista da memória como cópia
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A função da memória é reduzida à preservação da ordem e posição das ideias.
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A fidelidade da lembrança depende de sua semelhança estrutural com o ocorrido.
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A memória é convertida em máquina de replicação.
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Persistência do passivismo na tradição associacionista
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O associacionismo prolonga e reforça o modelo da memória como cópia.
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A memória permanece confinada a relações mecânicas entre ideias.
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Silenciamento do conceito de memória na filosofia crítica
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A memória é absorvida pela imaginação reprodutiva.
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O lembrar é tratado como função empírica subordinada.
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O apagamento do termo memória sinaliza um gesto defensivo.
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Nesse ponto extremo, a memória sofre um rebaixamento radical.