CASEY, Edward S. Turning emotion inside out: affective life beyond the subject. Evanston, Illinois: Northwestern University Press, 2022.
1. Compreendendo a Emoção: Visões Antigas e Modernas
Parte 2. Paisagens Emocionais: A Dinâmica Interpessoal da Emoção
Parte 3. Rumo a uma Perifenomenologia Prospectiva da Emoção
Apêndice: Arte e Afeto na Esteira do Holocausto
Prólogo
1. Em janeiro de 2021, a pandemia de coronavírus ainda envolvia a população mundial em uma atmosfera carregada de emoções conflitantes, que abrangiam ansiedade, depressão, medo, consternação e esperança de superação da doença, ao mesmo tempo que seus efeitos psicológicos, econômicos e sociais atingiam milhões de pessoas e incidiam de maneira especialmente destrutiva sobre minorias raciais e étnicas.
2. A extraordinária presença das emoções em múltiplos contextos históricos conduz à questão fundamental de sua localização, pois, embora seja legítimo afirmar que elas são registradas mentalmente e repercutem corporalmente, tornou-se habitual concebê-las como inteiramente contidas numa interioridade individual considerada seu lugar próprio, concepção consolidada desde o século XVII e posteriormente reforçada pelos estudos neurológicos, mas cuja validade pode ser apenas parcial ou profundamente equivocada.
3. Contra a concepção segundo a qual as emoções pertenceriam essencialmente à interioridade da mente, do cérebro, do coração ou do corpo, sustenta-se que elas possuem localizações próprias entre os indivíduos e além deles, originando-se e sendo recebidas do exterior em proporção muito maior do que normalmente se admite.
4. A dificuldade prolongada de apreender conceitualmente a emoção decorre precisamente de sua elusividade e indeterminação, pois a experiência reiterada de abordá-la demonstrou que não existem emoções puras, essências emocionais ou casos paradigmáticos estáveis, já que elas permanecem profundamente entrelaçadas com a contínua transformação da vida.
5. A emoção pode ser ancorada sem recurso exclusivo à interioridade sentida dos seres sencientes, situando-se muitas vezes no mundo circundante mediante uma localização que não é fixa nem simplesmente efêmera, mas relativamente estabilizadora e simultaneamente instável, correspondente ao que D. W. Winnicott denominou “espaço transicional” (transitional space), isto é, um espaço capaz de orientar e localizar sem exigir posicionamento exato nem reduzir-se à “localização simples” (simple location) de Whitehead.
6. Muitas das emoções mais significativas situam-se além dos limites da subjetividade, de modo que compreender como essa localização extrassubjetiva pode ocorrer constitui o problema central a ser esclarecido.
7. A investigação das emoções complementa a abordagem desenvolvida anteriormente em O mundo no limite (The World on Edge), de 2017, pois ambas procuram compreender tempos marcados pela turbulência, embora por perspectivas distintas, sendo que a reflexão precedente examinava o significado psicológico e existencial de estar “no limite” (on the edge).
8. Se a eleição de Donald Trump contribuiu para uma reformulação da abordagem da emoção, o surgimento repentino do coronavírus durante as etapas finais da elaboração do estudo tornou ainda mais urgente a questão de sua localização, pois a atmosfera generalizada de medo e ansiedade, intensificada pelo isolamento forçado, produziu em milhões de pessoas de todos os continentes uma densa combinação de afetos difíceis que pareciam manifestar-se em contextos decididamente extrapessoais.
9. A posse de um novo presidente dos Estados Unidos, ocorrida no momento da conclusão da obra, despertava grandes esperanças em muitas pessoas, fazendo surgir novamente a questão espacial da emoção: onde se situa esse sentimento de elevação e de que maneira pode ser localizado?
10. Aos leitores interessados em alcançar diretamente o núcleo da tese sobre a localização das emoções recomenda-se a leitura das partes 2 e 3 e do epílogo, enquanto a parte 1 fornece os antecedentes conceituais e históricos.