Martin Heidegger empreende uma ontologização da compreensão, transformando-a de faculdade metodológica, como em Wilhelm
Dilthey, em caráter próprio do existir
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Existir significa compreender, pois implica projetar o campo de sentido que permite a uma possibilidade mostrar-se como tal
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A relação entre compreensão, sentido e possibilidade possui um caráter ontológico, permitindo relações com diferentes modos de ser (utensiliaridade, subsistência, realidade, etc.)
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Para relacionar-se com um ente em seu sentido de ser (ex: utensílio), o ser-aí precisa previamente compreender e projetar esse sentido
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O projeto de sentido do ser-aí sempre se intersecciona com a abertura compreensiva do sentido de ser do ente em questão
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A compreensão prévia de sentido de ser é condição para qualquer comportamento adequado em relação aos entes
O ser-aí é um ente privilegiado ontologicamente não apenas por determinar-se a si mesmo, mas porque suas possibilidades de ser exigem necessariamente uma compreensão de sentido de ser dos entes em geral
A ontologia fundamental, ao perguntar pelas condições de possibilidade da pergunta sobre o sentido do ser, possui uma interface necessária com a analítica existencial do ser-aí
Um problema central surge da constatação de que, na cotidianidade, o sentido se retrai de maneira tácita, absorvendo o ser-aí no mundo e dificultando o acesso fenomenológico à compreensão projetiva
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A proximidade excessiva da compreensão de ser torna difícil alcançar evidência fenomenológica sobre ela
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Martin Heidegger enfrenta o dilema de encontrar um projeto existencial onde a compreensão de sentido de ser torne-se expressa, sob o risco de restar apenas o projeto impessoal
A solução para o dilema estrutural em Ser e tempo é buscada na introdução do tema da morte, o qual conduzirá à essência temporal do cuidado