O ser é a doação mesma, mas ele mesmo provém de uma doação mais fundamental.
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Ao afirmar isso, é preciso reter que não se avança para um fundo mais originário que o ser.
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O ser já é o fundo aquém do qual não há outro fundo.
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Avança-se, sim, para aquilo que a palavra “ser”, pela qual designamos a doação, dissimula nela mesma dessa doação.
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A totalidade de “Tempo e Ser” deve ser lida como a iluminação do elemento que concede o ser.
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Não no sentido de que o ser dependa de algo mais originário que ele, o que é impossível.
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Mas no sentido de que o pensamento que se apodera da palavra “ser” para dizer a doação vela a tenção profunda desse ser.
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Se o pensamento se puser à escuta, essa tenção profunda desvela sua verdade.
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As fórmulas de “Tempo e Ser” não devem ser tomadas como um retorno para um mais profundo.
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Devem ser tomadas como um deixar-se-desvelar daquilo que o ser diz.
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O “e” que liga ser e tempo é o título de uma co-pertença originária do ser e do tempo a partir de seu fundo essencial.
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Heidegger caminha para o pensamento desse fundo originário concedente do mais originário.