A partir da identidade do ser e do tempo no Anwesen, trata-se de dar a primazia ao dar puro que irriga o desdobramento mesmo.
-
Trata-se de dar primazia ao Lassen em quem todo Anwesen se mantém.
-
Trata-se de dar primazia ao enigma desse dom que deixa ser a vinda em presença de toda presença.
-
O avanço do desdobramento do ser aparece como um deixar avançar-se na presença.
-
O desdobramento que é o ser aparece como a presentificação que é o tempo.
-
Mas agora trata-se de pensar propriamente esse deixar-se-desdobrar-na-presença.
-
Isto é, a medida na qual é dado lugar ao desdobramento em presença.
-
Após ter aprendido a pensar juntos ser e tempo, evidenciando a tenção não-ôntica do ser-temporal, encontramo-nos diante da doação que eles veiculam.
-
Encontramo-nos diante da necessidade de uma tomada a cargo do Es gibt, que é o elemento dessa doação.
-
Não podendo mais dizer “o ser é” ou “o tempo é”, pois eles escapam ao domínio do ente.
-
Nem podendo dizer que eles não são, somos obrigados a mudar nossa maneira de pensar.
-
Dizemos doravante: “Es gibt Sein”, “Es gibt Zeit”, “Il y a être”, “Il y a temps”.
-
Descobre-se então o modo de ser próprio àquilo que em todo rigor não pode ser dito ser: o Es gibt em quem reside a tensão do Anwesen.
-
O pensamento encontra-se assim diante do elemento da pura doação; é à sua escuta que ele se dirige.
-
Ser e tempo mantêm-se nesse elemento, que adquire agora a primazia.
-
Eles se atingem nele e desaparecem diante do seu puro “il y a”.
-
Eles são a denominação imperfeita desse “il y a”, no sentido de que não fazem ouvir neles ao pensamento o dar puro originário em quem tudo recebe seu desdobramento.
-
De uma certa maneira, ser e tempo dissimulam neles o dar puro.