O advir a partir do abismo e o retorno a este desenham essa mobilidade de todo ente que se tem o hábito de compreender sob o modo do devir.
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Quando não se confunde a essência da temporalidade com a perdurância quantitativa do nunc stans, confunde-se com o devir.
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Esses dois aspectos, ser-presente e devir, são apenas as duas faces de um mesmo processo de temporalização.
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Segundo esse processo, o ente emerge a partir do abismo e retorna de onde veio.
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Seu devir e seu ser-presente estão ligados à sua estância no sem-fundo.
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Não há o devir de um lado e o presente per-manente do outro, mas um mesmo ser que faz eclodir sobre o fundo de sua própria brecha doadora.
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Cada ente designa esse abismo, pois só desenha seus contornos nesse espaço deixado vazio para tornar possível seu ser-presente.
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No seio do Mesmo, o ente surge e submerge, manifestando assim o espaço que o declausura.
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Tudo isso no seio de um único ser-temporal que presentifica deixando ser o ente na presença.
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Isto é, fazendo aparecer o mistério de onde ele surge, manifestando assim de uma só vez a origem simultânea do devir e do presente.
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O presente surgindo no meio do abismo doador, dura enquanto se movendo no espaço deixado livre por esse abismo, que acaba por retomá-lo.
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O presente e o devir são um Mesmo: o ser-temporal.
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Só há presente na doação.
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Essa doação sendo espaço abissal, o presente tem a margem para nele mover-se, bem como dele jorrar e a ele retornar.