O pensamento do tempo adquire assim uma forma inédita e mantém-se para além da diferença tradicional entre o devir e o permanente.
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Ele retoma cada um desses dois termos no seio de um mesmo desdobramento.
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Sendo, o presente desdobra-se nesse espaço que lhe dá de ser, portanto torna-se.
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E tornando-se, o ente mostra para o ser que lhe permite manter-se no aberto, portanto é presente.
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Ultrapassando e reintegrando os clivagens tradicionais, Heidegger afirma que o que está no tempo, e assim se determina pelo tempo, chama-se o temporal.
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O temporal significa o transitório, aquilo que, no curso do tempo, passa.
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O próprio tempo passa.
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Mas o tempo passando constantemente, ele permanece enquanto tempo.
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Permanecer significa: não se esvanecer, portanto: avanço do ser, isto é, ser no movimento de aproximação que é a entrada na presença.
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O tempo passa, portanto, infinitamente o tempo que passa.
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O tempo é em si mesmo ser, o elemento de presentificação em que o ato de ser faz e deixa ser o ente-presente.
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Com a palavra “tempo” não se quer mais dizer o golpe sobre golpe de uma sucessão de agoras.
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Quer-se dizer “o espaço livre do tempo”, esse espaço nomeando o aberto que se esclarece no dar que porta e aporta uns aos outros o futuro, o ser-passado e o presente.