Para Heidegger, o si libera o espaço de jogo onde o ente aparece; esta capacidade, e não seu uso, deve tornar-se a Coisa do pensamento
O si se cumpre num relato ao que mais merece ser visto, presuposto como visível
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A ipseidade mais própria confunde-se com o campo de visibilidade possível
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O Bem é uma Ideia que brilha, concede a visão e é, portanto, visível e conhecível
O Bem conjuga o olhar do si e a luz do ente, tornando-os indissociáveis para a eficácia da capacidade de desabrigamento
O si é o olho da alma, tendo um relato originário com a luminosidade primeira
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O poder-ver e o poder-ser-vido são mantidos sob o mesmo jugo da luz
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A luz possui o caráter do através, do diafano, que abre passagem ao olhar e permite às coisas mostrar-se
O problema da comunicação das Ideias no Sofista visa possibilitar o exercício do dialegesthai pelo si
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A transformação do não-ser em um gênero do ser, o “Outro”, possibilita a dialética e a comunicabilidade das Ideias
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O ser é pensado como dynamis do koinonein, como ser-suscetível-de enquanto ser-conjuntamente
Platão faz um uso do não-ser, integrando-o ao ser para torná-lo fluido e dar legitimidade perfurante ao legein
O espaço do ser, sombrio, é ocultado em favor daquilo a que ele dá acesso
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A vontade platônica é organizar o espaço do ente, não localizar o espaço do ser
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O não-ser é apreendido como outro-ente, perdendo sua carga misteriosa
O não-ser reduzido a eidos completa a redução platônica do si à zona de claridade
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O não-ser é tornado perfeitamente visível e consistente, instalando-nos no ente com mais determinação
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O ser mesmo, não-ente, é perdido de vista em favor da luz derivada considerada originária
A metafísica utiliza o espaço do ser, do qual o si tem pré-compreensão, para voltar-se apenas ao ente
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O si se vê proibido de reportar-se ao não-ente, fundo de toda presença
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A vista é entregue a si mesma, cortada do fundo obscuro de onde advém
Com Platão, o homem conquista o aberto sobre o retraimento, esquecendo aquilo por e contra o que lutou
A obscuridade da caverna e a obscuridade do ser não são comparáveis
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As sombras da caverna pertencem ao distrito da luz, são claridades diminuídas, não o equivalente ao inquietante irredutível
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O inquietante e seu lugar próprio desaparecem do pensamento
Com Platão consuma-se a reviravolta que afasta o velamento prepotente e o faz cair no esquecimento
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O não-ser é reduzido a Ideia; o ser é considerado luz cuja fonte não é buscada
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O si é pensado como requerido para o aparecimento dos entes em seu ser-ideal, cumprindo-se na posta-em-luz da dialética
O si possui um relato primordial com a luz, mas a questão da possibilidade de apreender o mais obscuro não é colocada
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A única obscuridade presente em Platão é uma distorção feita à luz, que o si deve superar
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A relação com o inquietante, que constitui o si como o mais inquietante, deixa de ser uma dimensão da ipseidade
O si perde a possibilidade de referir-se ao seu próprio ato de ver, fixando sua essência em sua essência derivada
Platão é a virada decisiva que introduz a filosofia na metafísica ou no esquecimento da noite do ser
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Todos os grandes pensadores serão inconscientemente determinados pelas escolhas de Platão
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A metafísica advém quando o ente em sua visibilidade torna-se a medida do ser e do si
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Este movimento é possível porque o si é levado em sua essência para o que lhe parece oferecer-se com mais segurança: o visível e a luz, não o inquietante