O problema se dissolve porque a própria essência de uma palavra é ser ouvida e, portanto, produzir uma escuta.
Se o ser é palavra, é necessária uma escuta para essa palavra. O ser é, em si mesmo, co-resposta (Ent-sprechung) ou diálogo (Gespräch).
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Palavra e ser são idênticos, são o mesmo desdobramento.
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A palavra “Palavra” carrega em si a necessidade de um interlocutor.
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A verdade do ser, que inscreve um si-mesmo em sua estrutura, é necessariamente a Sprache (Linguagem, Palavra).
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A essência dessa Palavra (Wesen der Sprache) é necessariamente a palavra da essência (die Sprache des Wesens).
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Não há mais distância entre o si-mesmo e o ser quando este é apreendido como
Sprache, pois toda palavra produz simultaneamente a escuta que a constitui como palavra.
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O ser que diz seu nome deve ser pensado como o gesto de desdobramento de uma Palavra, como uma Sage sempre já ouvida pelo si-mesmo.
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A Sage é o que primeiramente nos concede o que nomeamos com a palavra “é”.
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O silêncio não é mera ausência de som, mas o espaço de ressonância de toda sonoridade, uma presença ativa.
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O fato de o si-mesmo estar à escuta (do silêncio) revela a presença de uma palavra.
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Para além do palavrório cotidiano, nossa fala ressoa, para quem sabe ouvir, com o eco dessa Palavra abissal à qual responde.
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A noite chama nossas gargantas à nomeação.
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A escuta não é uma atitude passiva, mas a ação de ter sempre já emprestado o ouvido, uma pré-veniência.
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A percepção humana não é a soma de percepções sensoriais isoladas, mas se funda em um domínio unitário de perceptibilidade que precede os órgãos dos sentidos.
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O si-mesmo é, por essência, relacional, e mantém de antemão um domínio de perceptibilidade.
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Os órgãos dos sentidos são canais que se inserem em um entre-dois já aberto por esta relação.
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A “alma”, neste contexto, não é uma interioridade, mas é identificada com este ser-aberto integral, é puro acolhimento.
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Possuímos, no princípio de nosso pensamento, uma estrutura transcendental e não orgânica de escuta, independente do ouvido.
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Esta estrutura é a verdade mesma da Erschlossenheit (abertura) própria do Dasein.
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Nela se unificam nossas faculdades.
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A essência do pensamento é uma tensão de todo o ser para o que pode vir, um apelo para um possível advento.
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Sempre já ouvimos, mesmo quando não ouvimos mais.
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O pensamento é vigília, sempre já despertada para o invisível e para a escuta do silêncio.
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Pensamento e palavra são uma mesma estrutura de ser-aberto, geradas na simultaneidade de um mesmo ato fundamental de doação.
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O noein é depositário da tarefa de obedecer ao que diz a Palavra.
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Há uma obediência transcendental, que nos precede e na qual dependemos estruturalmente, fundada na obediência (obédience) ao Lógos.
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O risco é que o
noein, ao se deixar deslizar ao longo do ente, se perca no seio de sua própria escuta.
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Analogia com o maestro que, tentando dominar todos os sons, acaba por deteriorar a harmonia.
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O noein que se centra em um setor para dominar o todo se torna pensamento calculante e deixa de ouvir.
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A liberdade do apelo pode se tornar servidão a um processo particular que vela a estrutura do apelo.
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A contrapartida da liberdade é que o deixar-ser pode acabar velando o próprio deixar-ser.
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A bondade da liberdade inerente à doação do ser é se pôter a coberto no que descobre.
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Só nos re-tomando a nós mesmos podemos ver nossa audição não como um órgão, mas como uma escuta fundada em uma compreensão originária.
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Só podemos emprestar o ouvido porque há previamente um dom, um abandono de si, uma disponibilidade orientada para a escuta.
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Só podemos porque, no Lógos, somos afiliados ao ser, por ele infiltrdos, e nós mesmos somos do ser como pensamento.
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O silêncio só é audível porque já estamos à escuta.
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A essência do pensamento é este estar-à-escuta, que revela o silêncio, e o silêncio revela o estar-à-escuta, num círculo.
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A Palavra faz ouvir vozes noturnas e o si-mesmo ouve ressoar, como seu próprio fundo, essa Sage que o envolve.
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Esta Palavra pronuncia em seu silêncio a sentença:
hen panta einai (tudo é um).
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O silêncio nos situa para além do ente em seu conjunto e nos permite vê-lo em sua unidade.
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O retiro do ser permite a apreensão de uma unidade.
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Falar e nomear é responder a um silêncio que nos precede, a uma luz noturna que nos envia a nós mesmos e ao mundo.
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Este vazio chama nossa resposta.
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O si-mesmo, ao experienciar a noite do ser, é interpelado por cada ente, que lhe pergunta o que ele é.
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Tudo ao nosso redor é palavra, tudo nos chama, tudo nos olha.
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A voz silenciosa da Palavra do ser nos interpela (inter-loque), nos fala uma enigma.
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A verdade da Palavra se afirma como Widerwendigkeit (caráter de reciprocidade), como diálogo entre o abismo do ser e o homem.
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A Palavra é o Olho que nos olha e nos interroga a partir das coisas.
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Cada ente possui a faculdade de nos olhar, no duplo sentido de nos buscar com o olhar e de nos concernir.
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Este olhar noturno é ao mesmo tempo silêncio, é a unidade imanente do mundo na simplicidade do Ab-Grund (abismo-fundo).
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Todos os sentidos encontram sua unidade na Palavra noturna desta eloquente Noite.
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Olhando a noite e ouvindo o silêncio, o si-mesmo responde a esta voz que o chama sob forma de enigma.
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Responde decifrando os entes em sua presença, nomeando-os, deixando-os vir ao pensamento.
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Ao desvelar, o si-mesmo não faz violência ao silêncio, mas lhe responde, pois o sentido do silêncio é precisamente se constituir como retiro para que uma doação possa florescer.
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O homem está na medida em que toma a palavra, respondendo à palavra da duplicidade (Zwiefalt), do pli.
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A relação entre a morte e a palavra, essencial e impensada, chega ao pensamento meditativo.
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A morte é para o homem a própria palavra do ser como Palavra, que diz “tudo é um”.
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Ela assina o si-mesmo a si mesmo, em sua finitude, e revela a origem do Simples que o domina.
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Os mortais são os que podem experimentar a morte como morte. O animal não pode, e também não pode falar. Relação entre morte e palavra se ilumina.
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A essência do
Lógos se revela como a essência desdobrante do ser como Palavra.
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A linguagem não é simples produto de nossa atividade falante, mas requer ela mesma o espaço para sua articulação.
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A ipseidade do homem está sempre tensionada para um fim, o que requer um espaço para seu movimento.
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O que a tensão do si-mesmo revela é um espaço sempre recuado.
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Não há intuição intelectual possível da Palavra do ser; pensar o ser não é fruí-lo, mas deixar o Seinlassen se desdobrar no e como pensamento.
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O estar-à-escuta-de necessita daquilo de que é escuta, que não é um ente.
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A atitude do si-mesmo revela o silêncio no qual está imerso e a Palavra que nele se desdobra.
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O homem se relaciona com este silêncio que o solicita sem cessar; tem um ouvido para o que cala.
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Este ouvido é o próprio pensamento, como legein (compreensão) e noein (escuta) da Palavra.
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A Palavra que se exprime para além do ente nos governa, produzindo um respondente. A co-resposta é uma mise en je (pôr em jogo o eu).
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O si-mesmo é interlocutor enquanto interpelado, estruturalmente necessário ao desdobramento da Palavra.
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A Palavra é o movimento próprio daquilo que, longe de ser solicitado por nós, se abre a partir de si mesmo e nos solicita, nos compreende, vem a nós.
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O homem só pode falar na medida em que já está constituído em sua ipseidade como uma escuta, e se seu ser é o de uma resposta viva e antepredicativa.
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Falar é, desde si mesmo, escutar. É escutar a Palavra que falamos. Falar é, antes de mais nada, escutar.
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Escutamos a Palavra na medida em que nos deixamos dizer sua Sage. Este deixar só pode ocorrer porque nosso próprio ser está engajado nela, pertence a ela (in die Sage eingelassen).
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A
Sage é
Zeige (mostração): ela diz “o dizer enquanto mostrar”.
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Esta mostração pela Palavra ocorre para o si-mesmo individual que, ao falar, por sua vez mostra, designa, desvela, prolongando a mostração originária.
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A Sage é uma primeira palavra cuja nossa fala é a resposta; ela é em si mostrante, nossa fala é seu eco.
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Tudo o que nos fala, tudo o que alcançamos, repousa na Sage mostrante.
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Na
Sage, o si-mesmo está em sua ipseidade, no ser como Palavra que possui em si, por essência, sua escuta.
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O falar humano, como falar dos mortais, não repousa em si mesmo, mas na pertença ao falar da Palavra.
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Por isso, o falar humano é essencialmente resposta: um dizer que vai ao encontro (entgegnendes Sagen), um responder (Antworten).
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Toda palavra falada é já resposta, uma contra-dita (Gegensage).
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O ser é co-resposta: só pode responder quem ouviu, só pode ouvir quem já respondeu ou fez eco.
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Tomar a palavra é devolvê-la; a palavra só devolve por ter tomado, e só fala respondendo.
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Na e pela Sage, o si-mesmo é conduzido para onde sempre já esteve.
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Sage e ser, Palavra e coisa, pertencem um ao outro.
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A Sage assegura a apropriação e a pertença recíprocas do si-mesmo e do ser em um mesmo ato de Ereignis.
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Com o pensamento da
Sage, realiza-se a ambição heideggeriana de chegar finalmente aonde já estamos.
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A tarefa fundamental do pensamento é permanecer neste elemento de co-pertença, que desde sempre constitui nossa morada.
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Ao ter sua verdade como Sage, o ser revela sua essência co-apropriante.
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Pôr-se à escuta de sua Voz é o único Caminho que conduz ao coração do elemento de desdobramento onde homem e ser desde sempre se co-pertencen.
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A verdade do ser é esta Palavra que une em um Mesmo o si-mesmo e o ser.
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A essência desta Palavra se associa por definição a seu respondente e aparece como Sage, a “Sage”, também traduzível por “Lenda” (Légende).
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A Lenda do ser é a palavra transmitida, nunca pessoal, mais rica que o que dela se apreende, obra de nenhum pensamento mortal, mas que necessita dos lábios do contador.
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Ela se deixa ouvir por quem, no silêncio, a deixa se fazer ouvir.
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É o acordo da realidade humana com o essencial que a domina, acordo que se esquece por ser tácito, mas que ilumina quando os ruídos cotidianos se apagam.
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À Palavra está associado um si-mesmo, não como momento independente, mas como correlato interno e inerente ao seu próprio desdobramento.
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Não há Palavra sem a connaturalidade de um respondente: o pensamento que guarda a presença e a palavra poética que a nomeia.
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A Palavra do ser nos convoca ao desvelamento, chama o si-mesmo a poemizar.
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Um Poema que nos ultrapassa nos convida a acompanhá-lo e a aperfeiçoá-lo.