O Es doador apareceu como destinação de ser, um ser idêntico ao tempo como apresentação esclarecedora.
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Essa apresentação reúne todas as coisas nela no ato de seu Reichen.
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Assim, “no destinar do reunião de toda destinação de ser, no dar inerente ao tempo, mostra-se uma apropriação, uma apropriação – a saber do ser como tapousai e do tempo como região do Aberto – em seu próprio”.
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“Aquilo que determina e concede ambos, ser e tempo, em seu próprio, e isso quer dizer em sua conveniência recíproca – é o que nomeamos: das Ereignis.”
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A clarificação da doação do ser como tempo, e a de sua identidade no seio do mesmo dom, fez aparecer a noção de Zeit-Spiel-Raum.
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Nele, a presença do ser e o espaço desdobrado pelo tempo encontram sua unidade doadora.
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O tempo e o ser advêm em sua identidade e, em sua pulsão doadora, desdobram um mesmo espaço de jogo: o Acordo, o Ereignis.
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A horizontalidade do acordo, da unidade, provém da verticalidade de um mesmo dom.
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E a verticalidade só advém em vista da horizontalidade de um mesmo Zeit-Spiel-Raum.
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No Es, que é o dom puro, mantém-se a simultaneidade do vertical e do horizontal, isto é, uma única doação concedente.
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Que se torna então esse “enigmático Es que nomeamos dizendo: Es gibt Zeit; Es gibt Sein”?
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Esse Es aparece como a unidade do tempo e do espaço, como o fundo do Zeit-Spiel-Raum.
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Mas ele não é ele mesmo tempo ou espaço.
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Esse Es nomeia de maneira enigmática o mistério da iluminação pelo qual a apresentação dá ao presente seu lugar no espaço ôntico.
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É na Lichtung que tempo e espaço encontram o impulso da eclosão que os porta eles mesmos a dar lugar ou a em-penhorar um ente.
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Mas sua co-pertença, onde reina a Lichtung, não é segundo sua ordem.
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“É somente a partir da Lichtung que o que é próprio, e ao espaço, e ao tempo, e seu rapport com a presença ela mesma enquanto tal, pode ser determinado.”
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“O espaço faz espaço. Ele maneja espaço. Ele dá livre campo: proximidade e longínquo, exiguidade e amplitude, lugares e distâncias. No espaço fazendo espaço joga a Lichtung.”
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“O tempo faz tempo. Ele libera no campo livre da unidade do ekstático, formado por ter-sido, futuro e presente. No tempo fazendo tempo joga a Lichtung.”
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“E a unidade do espaço e do tempo? A co-pertença dos dois não é da ordem do espaço, nem da ordem do tempo. Mas em sua pertença deve bem reinar a Lichtung.”
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A Lichtung repousa na indeterminação do Es, isto é, na gratuidade que dá a doação mesma.
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O Es reina.
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Heidegger temia que se fizesse entrar arbitrariamente em jogo a seu respeito alguma potência indeterminada de tipo substancial.
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Ser e tempo dependeriam dessa potência, aquém da qual, idênticos e constituindo a origem, é impossível encontrar um mais originário.
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Mas ele notava que esse perigo é evitado “enquanto nos mantivermos nas determinações do dar”.