A aparição de uma coisa ocorre pelo velamento da totalidade de suas possibilidades. O vazio da noite, concedido pelo retiro, é constantemente visto, mas não olhado. Quando vemos ou pensamos um ente, é-nos sempre dada, prévia e mais originariamente, a relação com o espaço e a compreensão do ser.
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O aspecto possibilitador e espacializador do vazio encontra um eco no Tao de Lao Tsé. O vazio central (o “não-ser”) é o que possibilita a função e a presença da coisa (a roda, o vaso, a casa), imagem da presença do ser em seu retiro, da largueza do ser que concede espaço e porosidade.
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O vazio não é um nada nem uma falta, mas um modo de jogo na incorporação plástica das coisas. Ele é a condição do aparecer.