A fenomenologia retornou às coisas mesmas, mas para Husserl isso significa aos vividos, não à
Coisa (
Sache) da qual essas coisas são as coisas.
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Cheia de pressuposições transmitidas pela metafísica, a fenomenologia está diante da tarefa de determinar seu próprio campo, que é não-fenomenológico (ou seja, fenomenológico apenas em intenção).
É assim que a fenomenologia pode se livrar do primado do visível e retomar sua vocação de mostrar o que está em jogo para o pensamento: a relação do si e do ser.
A fenomenologia deve viver sua própria intenção, para além da redução das coisas à evidência.
Uma vez descoberto o ego constituinte, trata-se de descobrir em que este ego doador pode ser descoberto.
A fenomenologia se torna em Heidegger uma tomada em guarda mantida e incessantemente “reescalonada” daquilo em que tudo tem desdobramento.
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Para permanecer ela mesma, a fenomenologia deve se transcender engolfando-se na doação sem nada acrescentar.
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É um trabalho de despojamento visando fazer surgir para o pensamento a origem que não cessa de surgir secretamente.
Uma vez o despojamento realizado, só permanece a doação em sua nudez, incluindo um pensamento para ela mesma.