Toda forma de realidade e todo elemento não-ôntico podem ver sua presença posta em movimento pela questão: “O que dá…?”.
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Tudo, exceto o próprio Lassen.
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O tempo nos ensina qual é o dom que dá o ser, torna mais legível, manifestando o Anwesen e identificando-se ao ser, a essência do ser.
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Mas ele demanda por sua vez a proveniência de sua doação.
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Por que há tempo? Qual é esse Es que dá tempo?
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Assim, “enquanto, há pouco, meditávamos o ser, mostrou-se: o inteiramente próprio do ser, aquilo em que ele tem seu lugar e onde permanece retido, isso se mostra no « Il y a », no seu dar, entendido como destinar”.
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“O próprio do ser não é nada do gênero do ser. Se pensamos propriamente após o ser, então a questão ela mesma (o que nela se debate) nos conduz de uma certa maneira longe do ser, fazendo-nos abandoná-lo, e pensamos o destinar que dá o ser como doação”.
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O ser é avanço em presença, é aí sua verdade, é dela que ele provém.
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A palavra “ser” vela assim o essencial de sua essência e demanda ser mudada à medida que essa essência desdobrante vem ao pensamento.
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O presente é “algo que avança se desdobrando (prae-s-ens)”.
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Esse avanço é o tempo, é o ser como ser-temporal, é a identidade do ser e do tempo que esclarece para o pensamento a tenção do ser.
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Mas isso não significa que o tempo seja mais profundo que o ser.
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Pois, por um lado, é precisamente mostrando-se idêntico ao ser que o tempo esclarece a essência doadora do ser.
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Por outro lado, conhecemos o ser como doação desde o início.
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O tempo e o ser permanecem idênticos e são ambos retomados no seio do mesmo Es gibt que eles são.
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Assim, o tempo não tem privilégio sobre o ser e desemboca no mesmo mistério de presença, em seu próprio mistério de presença.
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“Mas onde está o tempo? Está mesmo, e tem um lugar? Manifestamente, o tempo não é nada. É por isso que permanecemos circunspectos e dissemos: Há tempo, Es gibt Zeit [e não « o tempo é »]”.
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Qual é, mais uma vez, a tenção desse Es cujo enigma recorrente continua a impor-se ao pensamento?