O Ereignis dá associando um Dasein à doação para manifestar essa doação.
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Não se pode dar efetivamente senão a alguém.
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O único meio para o dom de ser dom é dar, e dar é dar a.
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A presença de um “quem” está portanto desde sempre integrada ao processo mesmo do dar.
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A essência do dom é apagar-se naquilo que dá, mas também dar, portanto partilhar-se.
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Conciliar essas duas exigências fundamentais da essência do dom leva àquilo que Heidegger não cessa de nos fazer ouvir.
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O dom dá ao mesmo tempo que se apaga, ele dá manifestando seu retiro.
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É assim que ele dá em verdade, revelando seu apagamento.
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O dom vive de se apagar, mas, vivendo também de dar, ele precisa de um si-mesmo para manifestar esse apagamento.
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Devidamente meditado, esse apagamento aparece como a guisa de todo dar.
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“Ao Ereignis enquanto tal pertence o desapropriamento”.
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O Ereignis é o nome do ser associando-se um si-mesmo para manifestar que ele não é um ente.
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Ele é, portanto, um elemento de imensidade irredutível ao princípio de razão.
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Ele serve para fazer partilhar, no abalo primeiro que estimula a meditação e a tomada a cargo do mistério, a dimensão de ausência imanente a todo dar.
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Quem toma a cargo o mistério conquista a serenidade do pensamento.
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Como Ereignis, o ser dá-se, o ser porta em seu coração a realidade humana.
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O “Il” do “Il y a”, o “Es” do “Es gibt”, isso mesmo que dá, que concede, que se concede, que se faz eco em si mesmo ao mesmo tempo que permanece em retiro, atesta-se como Ereignis.
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No Ereignis está compreendida a presença, o “Il y a”.
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E não há presença senão se há alguém para quem a presença é presente enquanto tal.
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No “Il y a” da presença desdobra-se a conaturalidade de uma ipsidade.
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O elemento mais originário é a doação, e o nome da pura doação é bem aquele do Ereignis.
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O Ereignis compreende em sua carne mesma a presença do correlato de sua Eignung.
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“Tempo e Ser” nos faz assim apreender a compenetração do dar puro e do Ereignis.
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O dar puro é aquilo que há de mais profundo e de mais essencial.
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O nome de seu “Es” indeterminado, do qual brota o “Es gibt”, é Ereignis.
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O mais originário encontrou assim seu nome, e o pensamento sua via.