BRAVER, Lee. Heidegger: thinking of being. 1. publ ed. Cambridge: Polity Press, 2014.
Heidegger acredita que a falha comum a praticamente todos os metafísicos é que eles não questionaram o ser de forma suficientemente rigorosa. Em particular, eles ignoraram as diversas formas de ser, fixando-se em uma única forma de ser que aplicaram a tudo o que existe. Isso é especialmente problemático quando se trata do fundamento de toda ontologia – a análise existencial que nos estuda. A tese dominante de Ser e Tempo, tal como a conhecemos (não sabemos aonde a Divisão 3 nos teria levado), é que a forma de ser do Dasein é totalmente diferente de qualquer outra, e as duas divisões que temos são uma análise aprofundada da existência por meio do contraste constante com dois outros modos de ser. Heidegger nos exorta repetidamente a compreender o Dasein em seus próprios termos, em vez de termos emprestados de outro tipo de ser. Vamos chamar essa exigência de Imperativo Existencial. Os metafísicos foram seduzidos por uma única ideia e ideal do que significa ser — participar das Formas, ser criado por Deus, ser uma substância, etc. — que eles então impõem a tudo. Heidegger argumenta que o próprio fato de tratarmos, digamos, as pessoas de maneira diferente dos martelos ou (18) das rochas mostra que temos pelo menos uma apreciação vaga e pré-ontológica das múltiplas maneiras de ser. (p. 17-18)