Lançamento e projeção são co-originários e entrelaçados, com a projeção figurando como aspecto ativo de escolha e o lançamento como fatos encontrados, mas ambos só existem juntos, pois escolhas passadas situam o estar em sala de aula e a manutenção do projeto decide o permanecer-no-projeto, sempre modulada pelo modo como a situação se dá afetivamente, inclusive quando o compromisso é assumido como a-ser-mantido independentemente do sentir.
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Projeção é o aspecto de escolher e fazer.
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Lançamento é o encontrar fatos dados.
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Situação presente no Umwelt resulta de escolhas já feitas.
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O projeto precisa ser mantido para continuar valendo.
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Abandonar o para-o-que altera o estar-no-projeto mesmo sem mudança espacial.
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O modo afetivo de encontrar a situação informa continuidade e estilo de manutenção.
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Compromisso pode ser mantido apesar do humor por ser encontrado como dever-de-manter.
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O compromisso encontrado como a-ser-mantido é descrito como espécie de sentir.
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Dasein é possibilidade lançada entregue a si mesma (183/144).
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A inteligibilidade e significatividade do mundo dependem de projetar o para-o-que, pois por linhas de significância e cadeias de in-order-tos os entes tornam-se significativos como capazes e adequados a fins, e coisas nuas e sem sentido só aparecem em observação desengajada que as torna mudas e inertes (192/151; 190/149; 189/149).
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A projeção do para-o-que funda a inteligibilidade do mundo.
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Significância é composta por linhas de in-order-tos em tarefas.
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Entes aparecem como para-isto e capazes-de-fazer.
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Coisas sem sentido surgem em observação desengajada.
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O usual é aparecerem como rastelo, toalha, cadeira.
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O entender pode permanecer prático no uso ou tornar-se explícito.
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A interpretação é o desenvolvimento explícito do compreender, traduzindo Auslegung como pôr para fora e expor ao olhar, e ao interpretar o martelo explicita-se a cadeia de in-order-tos vinculada ao para-o-que, formando um contexto inteligível de Umwelt que lhe confere sentido.
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Auslegung é descrito como pôr para fora e dispor ao exame.
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Interpretar torna explícito o que estava implícito no uso.
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A cadeia liga martelo, pregos e madeira a tarefas intermediárias.
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O conjunto é orientado para construir estante.
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O sentido do martelo provém do contexto de significância do Umwelt.
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No uso ordinário, o martelo se retira e o encontro já o entende por uma totalidade de envolvimentos que mantém ocultas as relações de atribuição do in-order-to, enquanto a interpretação puxa essas cadeias recolhidas para fora e faz a compreensão apropriar-se do compreendido ao desenvolver sua natureza (189/149; 188/148).
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O encontro imediato já entende por totalidade de envolvimentos.
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As relações de atribuição permanecem implícitas e encobertas.
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A interpretação desdobra e explicita cadeias antes enroladas.
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A explicitação torna visível o que guiava a ação.
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A interpretação é descrita como desenvolvimento da possibilidade do compreender.
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O compreender apropria-se do que compreende ao torná-lo explícito.
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A hermenêutica de Ser e Tempo é reforçada pela recusa de apreensão imediata sem pressuposições, pois a tentativa de suspender engajamento para mera observação produz distorções e mantém preconceitos profundos, contrariando a busca filosófica tradicional por retirar acidentais culturais e limitações sensoriais e tensionando a promessa husserliana de intuição inocente (191–2/150).
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A apreensão sem pressupostos é rejeitada.
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A filosofia tradicional busca criticar suposições e remover acidentes culturais.
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Há busca por acesso ao real além de limitações do corpo e sentidos.
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A intuição inocente é atribuída a
Husserl como pretensão fenomenológica.
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A purificação por observação mantém preconceitos profundos.
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A desativação do engajamento gera distorções do que se queria evitar.
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A interpretação em ¶32 distingue o ato explícito de uma interpretação sempre operante pela qual entes são entendidos como tipos determinados, de modo que nada entra na consciência sem compreensão pré-ontológica de ser que os torna ferramenta, objeto ou outro Dasein, e mesmo o present-at-hand permanece um sentido distante de preocupações humanas, com três estruturas prévias preparando toda experiência.
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Há interpretação como ato explícito e como estrutura constante do entender.
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Entes aparecem como certos tipos e não como sem sentido.
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A compreensão pré-ontológica de ser molda o aparecer.
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Present-at-hand é um sentido ainda significativo, embora distante do social.
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Três estruturas prévias são indicadas como condições do interpretar.
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Toda visão, pensamento e encontro já vem preparado por essas estruturas.
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Não há dados brutos passivamente espelhados.
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A estruturação precede percepção e pensamento.
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Esquemas podem evoluir historicamente e ser trocados, mas não eliminados.
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O acesso ao mundo ocorre sempre por algum esquema interpretativo.
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A interpretação pode tornar-se asserção, e essa forma é dita derivada por depender do já interpretado e por distorcer o que ocorria, pois a asserção aponta e faz aparecer, predica separando ao unificar, e comunica partilhando o foco com outros (196–9/154–7).
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Asserções só podem enunciar sentidos já encontrados interpretativamente.
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A asserção aponta e dirige atenção para um sujeito.
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O apontar é ligado a apophansis.
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Mesmo sem presença perceptiva, a fala abre um aí em que algo aparece.
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A predicação atribui qualidade e separa sujeito e predicado.
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O foco em um predicado obscurece outros traços e o todo integrado.
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A comunicação partilha o destaque com outros, formando clareira comum.
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A gramática sujeito–predicado sustenta tacitamente ontologia de substância e acidente ao dividir mundo em sujeitos portadores de propriedades, sendo isso reconhecido por filósofos como
Nietzsche e Bertrand Russell como um efeito de estrutura linguística que impõe fore-structure.
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A forma S é P encoraja pensar em entidades autocontidas.
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Predicados aparecem como propriedades possuídas.
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A tradição de substância–acidente é reforçada pela gramática.
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A linguagem impõe uma estrutura prévia interpretativa.
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O ponto é associado a observações de Nietzsche e Russell.
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A asserção é derivada também por retirar do fluxo do lidar preocupadamente e por velar o pronto-para-o-uso ao convertê-lo em objeto sobre o qual se fala, deslocando a antevisão para o present-at-hand e cortando o equipamento da significância que constitui a ambientalidade (200/158).
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O pronto-para-o-uso torna-se tema de enunciado.
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A antevisão passa a mirar o present-at-hand no pronto-para-o-uso.
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O pronto-para-o-uso fica velado como pronto-para-o-uso.
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O item é cortado da rede de significância.
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A ambientalidade é descrita como constituída por essa significância.
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A apofanticidade das asserções contrasta com o “como” existencial-hermenêutico do uso cotidiano, pois a interpretação primordial ocorre em ação de circunspecção e pode permanecer muda ou em murmúrio não gramatical, e a deriva apofântica depende de como se diz e se experiencia, levando o enunciado teórico a reconfigurar o martelo como coisa com propriedade de peso (201/158; 200/157).
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O uso cotidiano interpreta sob o “como” existencial-hermenêutico.
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Se o martelo pesa, pode-se largá-lo e pegar outro sem verbalizar.
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A interpretação primordial acontece em ação de preocupação circunspectiva.
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Pode surgir expressão mínima como “pesado demais” sem estrutura teórica.
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O efeito derivado depende do modo de dizer e do modo de experienciar.
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A asserção teórica traduz-se como coisa-hammer com propriedade de peso.
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O pronto-para-o-uso não aparece como corpo espacialmente delimitado, mas como via para um fim, de modo que o martelo funciona como caminho para madeira fixada e, diante de problema, o caminho cede ou resiste levando a recuar e buscar rota alternativa, o que preserva a análise de retirada do equipamento em ¶16.
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Ferramentas aparecem como meios-caminho orientados a metas.
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O martelo aparece como via para fixar madeira.
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A espacialidade corpórea do objeto não é o foco primário.
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Problema é vivido como colapso de via ou resistência.
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A resposta é recuo e busca de alternativa.
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A retirada do equipamento orienta a experiência cotidiana.