Antropologia Filosófica

BOLLNOW, Otto Friedrich. Le tonalità emotive. Tradução: Daniele Bruzzone. Milano: Vita e Pensiero, 2009.

CONCEITO E MÉTODO DA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA

1. A origem do problema da natureza humana

1. As pesquisas em questão exigem uma clarificação preliminar do conceito de antropologia filosófica, a fim de estabelecer o quadro geral e o método a ser empregado, mas, apesar da atenção recebida, ainda falta uma noção certa desse ramo da filosofia, cujo valor precisa ser resgatado da cobertura de elucubrações que o ofuscaram.

2. As respostas a essa pergunta proliferaram no século XIX, definindo o homem como uma máquina, um feixe de pulsões, um elo na evolução orgânica, um ser social, entre outras, mas cada uma dessas visões partia de um único aspecto escolhido ao acaso, resultando em respostas diferentes e hipotéticas, o que acentuou a situação na qual Scheler, pela primeira vez, colocou o problema de uma antropologia filosófica, constatando que em nenhuma época a questão do homem se tornou tão problemática e que, diante do caos de pontos de vista, nasceu a necessidade de uma reconsideração metodológica da forma correta de colocar a questão do homem, desenvolvendo-se assim uma autêntica antropologia filosófica.

2. A abordagem metodológica

3. A novidade na maneira de colocar rigorosamente a questão da antropologia filosófica se esclarece pelo confronto com as abordagens desordenadas, as quais, apesar da diversidade de conteúdo, concordavam na forma do procedimento ao tentar reduzir o conjunto dos fenômenos da vida humana a um único aspecto, como instinto de poder ou pulsão sexual, tomando “levianamente” a multiplicidade originária dos fenômenos com a fórmula mágica do “nada mais além de” um elemento arbitrário.

3. O princípio da questão aberta

4. A fecundidade desse modo de colocar a questão pode ser compreendida com um exemplo, como o da interpretação da angústia em Kierkegaard e na filosofia da existência, embora sua análise deva ser adiada para que se desenvolvam outras considerações relativas à crítica da antropologia filosófica pela filosofia da existência.

4. A necessidade de uma abordagem indireta

5. A antropologia filosófica se encontra em desvantagem em relação à interpretação filológica de um texto, pois este é fixo como algo dado de uma vez por todas, enquanto a vida humana é apenas um texto parcialmente legível, no qual o que é dado diretamente pode ser enganoso, exigindo uma abordagem indireta para captar a essência do homem.

5. Iluminação da existência e analítica existencial: as objeções de Jaspers e Heidegger

6. A possibilidade de uma antropologia filosófica, como esboçada, foi contestada por Heidegger e Jaspers, cujas objeções, vindas de direções opostas, obrigam qualquer novo trabalho no campo a discutir preliminarmente essas objeções para abrir espaço para sua própria construção.

6. Analítica existencial ou antropologia filosófica?

7. O confronto com a antropologia filosófica situa-se, para Heidegger, no âmbito de sua posição ontológica geral, na qual todas as ciências particulares necessitam de uma clarificação prévia da constituição ontológica de seus objetos, e todas as ontologias particulares são remetidas a uma “analítica da existência (humana)” [Analytik des (menschlichen) Daseins] como “ontologia fundamental”, ocupando o lugar que antes pertencia à antropologia filosófica.

7. Os pressupostos da analítica existencial

8. Heidegger enfrenta uma dificuldade fundamental: quer dar à antropologia filosófica um fundamento ontológico que, por sua vez, só pode ser obtido com o mesmo método 'hermenêutico' praticado na antropologia filosófica, mas sua posição ontológica geral permite uma simplificação essencial ao limitar a aplicação do procedimento 'hermenêutico' a um único caso, para desenvolver sobre ele a estrutura essencial que vale para todos os outros exemplos.