FACTICIDADE [FAKTIZITÄT] E FACTUALIDADE [TÄTSACHLICHKEIT] (1999:43-46)

BLATTNER, William D. Heidegger’s temporal idealism. Cambridge, U.K. ; New York: Cambridge University Press, 1999.

Heidegger tem de desenvolver uma conceção da determinação do Dasein que derive ou cresça a partir da sua concepção da possibilidade do Dasein, ou existencialidade: “A facticidade não é a factualidade do factum brutum de algo que ocorre, mas antes uma característica do ser do Dasein, que é levado à existência, mesmo que seja primeiramente afastado” (p. 135, ênfase alterada). Na passagem que introduz “ser-jogado” (na p. 135), Heidegger usa um dispositivo linguístico particular para assinalar a mesma ligação geral que tenho tentado fazer. Ele caracteriza a determinação do Dasein não apenas como o seu “que é”, mas também como o seu “ter de ser”. O arremesso é o “que é e tem de ser” do Dasein. Heidegger não está a sugerir que o Dasein é de alguma forma necessário. Isto é conotado pelo inglês, mas não pelo original alemão. Heidegger escreve que o ser-jogado é o “Daß es ist und zu Sein hat” do Dasein. O Dasein tem o seu ser para ser. O Dasein tem o seu ser e tem de fazer algo dele, tem de o viver de uma forma definida. Isto é, o seu ser é uma questão para ele. A determinação do Dasein, por outras palavras, está internamente ligada à sua existencialidade.


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