O papel fundador de Heidegger, que com seu conceito de Stimmung tentou superar a relação sujeito-objeto, influenciando as abordagens contemporâneas.
-
Os pensadores da ambiência retomam a tese anti-dualista de Heidegger.
-
Eles afirmam que a ambiência põe em suspeita a divisão sujeito/objeto e escapa a essa partição tradicional.
-
Contestam a ideia de que a ambiência seja projeção de um humor ou introjeção de uma qualidade do meio.
-
A ambiência é concebida como uma forma de experiência pura, pré-interpretativa.
-
Identificação de três interpretações possíveis para o caráter pré-dualista da ambiência, após o acordo mínimo heideggeriano.
-
Posição dialógica: a ambiência nasce de um diálogo incessante e é ontologicamente ambígua, participando ao mesmo tempo do sujeito e do objeto.
-
Posição sintética: a ambiência é um terceiro fenômeno, um tipo de ser inédito resultante da fusão total do subjetivo e do objetivo.
-
Posição autóctone: a ambiência é um terceiro ser autônomo, cuja essência fenomenológica transcende suas condições psicofísicas e possui modo de ser próprio.
-
Esclarecimento de como cada posição concebe o “intermediário” na ambiência.
-
Posição dialógica: o intermediário é relação (inter), resultado do entrecruzamento entre sujeito e objeto.
-
Posição sintética: o intermediário é mistura (mixtion), um ser próprio que é a fusão dos anteriores.
-
Posição autóctone: o intermediário é autonomia, um ser originário que se sustenta entre sujeito e objeto sem ser seu produto.
-
Defesa da posição autóctone como a mais rara e difícil, mas como a que será seguida, rejeitando as outras por permanecerem no dualismo.
-
As posições dialógica e sintética, apesar de sua intenção, permanecem enredadas na lógica do dualismo sujeito/objeto.
-
A ambiência obriga a pensar fenômenos que rompem com a lógica da projeção e da junção.
-
Ao aparecer, uma ambiência não manifesta relação visível nem fusão sintética entre vivências e coisas.
-
Proposta de uma lógica inédita da “imersão” para substituir a lógica tradicional da “projeção” e captar a imersão pré-dualista na situação.
-
A ambiência expressa o sentimento de uma imersão total, fundindo-se tonalmente no que está entre os elementos.
-
É necessário desmantelar o modelo “projetivo” e descobrir o fundo oceânico e pré-dualista do mundo.
-
A lógica imersiva é uma tentativa de restituição filosófica de fenômenos atmosféricos que escapam às divisões tradicionais.
-
Ela visa superar o ponto de vista pontual da relação sujeito-objeto para considerar a situação originária em seu conjunto.
-
Caracterização do regime da imersão como capaz de dar conta da porosidade da existência ao meio, em contraste com a consciência intencional.
-
Liberta do primado do objeto, a imersão permite à vitalidade da experiência ambiental se expandir livremente.
-
As ambiências são sondagens vivas na experiência primordial, fazendo-nos sentir o que nos engloba como totalidade.
-
A perspectiva imersiva visa alargar a concepção de ser e descobrir fenômenos não circunscritos pelas categorizações tradicionais.
-
A experiência do mundo é antes um continuum de presença medial e englobante, anterior a qualquer relação entre substratos distintos.