A segunda parte do Poema, sobre o
diakosmos (o mundo ordenado), não é a exposição de um mundo de erro, mas da verdade do mundo
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A interpretação tradicional vê aqui um “mundo da ilusão” que Parmênides refutaria ou descreveria condescendentemente
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Propõe-se que o diakosmos é a exposição do mundo tal como se desdobra em sua verdade, para quem sabe pensar a unidade dos opostos (luz e noite, presença e ausência)
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O diakosmos é o kosmos (joia, ornamento) que brilha em tudo, o ajuntamento secreto que sustenta todo ajuntamento visível
Heráclito e Parmênides dizem o mesmo
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A oposição entre eles é uma construção da tradição, já presente em Platão
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Ambos pensam a unidade dos contrários, o kosmos como harmonia antagonista
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A diferença de palavras não esconde a escuta de um mesmo Logos
O Poema culmina com a gênese e a nomeação das coisas
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O fragmento XIX introduz a fórmula kata doxan, tradicionalmente lida como “segundo a opinião”
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Propõe-se uma leitura objetiva: kata doxan como “ao filo da aparência” ou “conforme a expectativa” (em oposição a para doxan)
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As coisas nascem e são nomeadas pelos homens, que separam e designam. Mas o saber verdadeiro pensa a identidade onde os mortais veem disjunção
O saber grego do ser, em sua aurora, é um saber-ser que se desdobra no elemento da presença sem violência
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É a graça e a desenvoltura do homem do ser, que supera a fascinação unilateral pelo ente
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Esse saber se manifesta no ritmo (rythmos), na justeza do kairos (o momento oportuno, o que há de melhor em tudo)
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Aristóteles reprovará a Platão ter desertado esse sentido do ritmo, reduzindo a sinfonia a uníssono
A leitura do Poema de Parmênides permite entrever essa maravilha
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O mesmo, em verdade, é ao mesmo tempo pensar e ser
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O ser é para o ser ao mais próximo
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A esfera perfeita, radiante a partir do centro
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Esta é a palavra ouvida por Parmênides, no dia do nascimento de um mundo