Define a função da transcendência como fazer irromper à luz do dia algo que, sem essa condição, permaneceria fundamentalmente em retraimento, grundverborgen, mostrando que Heidegger evita deliberadamente o termo consciência, receoso de importações filosóficas mal controladas, preferindo o termo
Erschlossenheit, estado de ser-aberto, por oposição ao que estaria fechado sobre si, verkapselt, como uma caixa
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Insiste em libertar-se da metáfora do encaixotamento com que tantas vezes se descreveu a consciência como sujeito votado ao solipsismo, em cuja esfera interior o mundo cairia apenas acidentalmente, observando que, como já bem vira
Husserl, a consciência não faz senão um com sua própria abertura ao mundo e aos outros homens, sendo nisso que consiste sua luminosidade
Conclui que, ao contrário da metáfora do encaixotamento, permanece válida a velha imagem do homem como luz natural, sendo de si mesmo, e não pela intervenção de algo exterior, que o homem faz luz de seu ser-no-mundo, não vindo a consciência de fora pousar sobre o Dasein, mas sendo o Dasein, de ponta a ponta e radicalmente, sua própria Erschlossenheit, na fórmula “Das Dasein ist seine Erschlossenheit”