A concepção heideggeriana do Dasein procede de ter considerado com mais rigor a correlação e as coerções que esta impõe ao sentido do ser do sujeito, conciliando ao definir o Dasein como existência sua intramundaneidade com sua dimensão constituinte
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Heidegger percebe o beco sem saída da perspectiva transcendental husserliana, devida a uma caracterização unilateralmente subjetivista do sujeito, e por isso situa o Dasein no interior do ente, substituindo a alteridade do sujeito husserliano pela diferença do Dasein respeito aos demais entes
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Coloca-se a questão de saber se a intramundaneidade do Dasein pode ficar verdadeiramente fundada ao implicar necessariamente um parentesco, uma comunidade ontológica com os demais entes, e em que medida uma ontologia atida à partição entre existência e subsistência pode dar conta dessa comunidade
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A dificuldade reside em pensar uma continuidade ontológica que contenha a diferença entre o sujeito e os entes ultramundanos, sem que Heidegger, ao sacrificar a univocidade à equivocidade, consiga mostrar como o Dasein compartilha algo com os demais entes
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Heidegger reconhece, no entanto, que o homem nunca é apenas presente-subsistente mas também existe, o que significa que nele se conjugam existência e subsistência, questionando assim, no próprio ente que a fundamentava, a cisão que ele mesmo instaura
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Pode-se replicar que o Dasein não é o homem, que o desafio da analítica existencial consiste em fazer ressaltar o Dasein no homem, e que reconhecer a dimensão subsistente do homem não entra em conflito com a partição do ente, sendo precisamente a presença subsistente que confere ao Dasein a intramundaneidade que permite qualificá-lo como homem