É possível avançar ainda mais na caracterização desse movimento, perguntando como nomear um fazer aparecer que se confunde com um tender para, experiência que se faz no desejo, proposto então para caracterizar esse movimento subjetivo originário
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Não se trata do desejo no sentido psicológico de certa relação com o outro, mas da dimensão ou modo de ser que nessa relação se descobre e que se reencontra no cerne da subjetividade, sendo ao desejar que existimos plenamente como sujeito, mais próximos do que constitui seu modo de ser fundamental
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O desejo empírico, como relação com um outro, conduz a um desejo transcendental relativo à relação do sujeito com o mundo, sendo desejar antes de tudo descobrir o outro através do movimento que a ele me leva, fazendo aparecer seu objeto ao aproximar-se dele
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Outro traço do desejo, que o distingue da tendência ou da necessidade, é que a obtenção de seu objeto não o aplaca mas o relança, de modo que o que o satisfaz o escava em vez de colmá-lo, distinguindo-se assim da necessidade, plenamente aplacada pela obtenção do objeto que lhe falta
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O desejo não é falta de algo determinado suscetível de aplacá-lo, pois o que lhe falta é da ordem do nada, o objeto do desejo dando-se como em falta em relação a algo que o excede, aquilo que seria seu objeto verdadeiro sem, contudo, ser um objeto
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O desejo descobre então que aquilo que atinge não era o que desejava, já que não o aplaca, sendo o verdadeiro objeto do desejo descoberto em seu próprio defeito, que se manifesta nos próprios entes finitos e não tem outra teor de ser senão esse defeito mesmo, como avesso do objeto finito