Ao terceiro sentido da pertença, o lugar, corresponde um conceito que se distingue fundamentalmente do de “posição” (place), pois o lugar não é delimitado geometricamente, mas é o espaço ativamente ocupado, habitado e desdobrado por essa própria habitação, sendo sempre o correlato espacial de um evento, e não o limite geométrico de uma coisa corporal.
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O lugar, como espaço fenomenal, é sempre “lugar de”, pois só existe para e por um ente, e sua extensão é tão indeterminada quanto a ação que o desdobra, de modo que há tantos lugares quantos são os modos ativos de pertença, sendo que a pedra, por exemplo, tem seu lugar confundido com sua posição, pois ela não irradia para além de si mesma, atestando apenas a si mesma.
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Essa ausência de irradiação na pedra, contudo, não significa uma completa falta de pertença fenomenológica, pois ela habita o mundo à sua maneira, por uma concentração e condensação que a instalam no tempo e na duração, de modo que sua vida se manifesta como temporalidade, enquanto a vida animal e, sobretudo, a humana, se manifestam como espacialidade e mobilidade.
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A potência de ocupação do lugar, a habitação, se opõe à expansão temporal, de modo que a subjetividade se atesta essencialmente no lugar, como mobilidade e espacialidade, e não na temporalidade, o que coloca a fenomenologia da pertença em oposição às concepções contemporâneas que definem o sujeito pela temporalização.