aparecem como realização de uma filosofia da expressão consequente, ordenada à vontade de superar as equívocas das primeiras obras, ao generalizar-se para não mais correr o risco de ser interpretada como aparência ou anedota psicológica
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Não se trata de retornar a uma origem velada nem de coincidir com um mundo virgem, pois o mundo bruto ou selvagem não é de modo algum o sítio do irracional, cabendo à reflexão tomar a medida da impossibilidade dessa coincidência, correlata da ausência de origem assinalável, o originário estourando e a filosofia devendo acompanhar esse estilhaçamento
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A expressão não é véu posto sobre o mundo mas, sendo o próprio devir do mundo, o que pode nos abrir a ele, cabendo à filosofia encontrar uma palavra que se una ao mundo como expressão muda, papel capital que cabe à reflexão sobre a pintura em Le langage indirect et les voix du silence
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Para compreender a linguagem em sua operação de origem é preciso fingir nunca ter falado, submetê-la a uma redução, olhá-la como os surdos olham os que falam, comparar a arte da linguagem às outras artes de expressão, é através da pintura que se poderá liberar o significar originário da linguagem antes que ela o transmude em idealidade
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A pintura, expressão muda de nosso contato com o mundo, reconduz ao silêncio de seu significar primeiro, desempenhando o papel de uma redução fenomenológica que, ao contrário da linguagem, faz aparecer uma camada primordial, um significar que ainda não é significação, substituindo a lógica alusiva do mundo percebido ao objeto tal como uma pincelada substitui a reconstituição completa das aparências
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Com a pintura pode realizar-se uma redução verdadeira, não mais no sentido idealista de retorno à subjetividade transcendental, mas no sentido ontológico de desvelamento do mundo primordial, contribuindo Le langage indirect et les voix du silence e sobretudo L'œil et l'esprit a liberar o espaço da ontologia cujas categorias são amplamente tomadas de empréstimo à descrição da expressão pictórica