As atividades espirituais, não-aparentes em um mundo de aparências, exigem retirada deliberada do presente sensível, dependem da imaginação definida por
Kant como faculdade de intuição sem objeto presente, e tornam possível passado, futuro, vontade e juízo mediante re-presentação do ausente [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 9].
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Imaginação como condição do pensar.
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Vontade como transformação do desejo em intenção.
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Juízo requer afastamento da parcialidade.
Agostinho descreve o processo pelo qual a VISÃO externa gera imagem interna armazenada na memória e convertida em VISÃO em pensamento, distinguindo objeto sensível, imagem e objeto pensado, e mostrando que o pensamento ultrapassa a imaginação ao conceber infinitude e divisibilidade além de qualquer VISÃO corpórea [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 9].
A teoria, derivada de theatai, funda-se na posição do espectador cuja VISÃO externa permite compreender a verdade do espetáculo ao preço da retirada da ação, estabelecendo distinção entre agir e compreender [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 11].
A prioridade da VISÃO na metafísica ocidental associa verdade à metáfora visual, enquanto o logos exige justificação discursiva, e
Wittgenstein relaciona a escrita hieroglífica à ideia de verdade como retrato visual dos fatos [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 12].
A linguagem filosófica é essencialmente metafórica, transfere relações por analogia segundo
Aristóteles e
Kant, e utiliza metáforas visuais para tornar manifestas ideias especulativas que transcendem o mundo das aparências [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 12].
Termos como noeomai, energeia, kategoria e ratio mostram deslocamentos metafóricos que associam VISÃO e pensamento, revelando como a evidência visual estruturou o vocabulário filosófico desde
Platão e
Aristóteles até Cícero [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 12].
Desde a filosofia grega, o pensamento foi concebido em termos de VISÃO, que serve de modelo para percepção e verdade, embora tradições da Vontade recorram ao desejo ou à audição e Hans Jonas destaque a nobreza da VISÃO na história metafísica [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
O juízo retira sua metáfora do gosto, sentido privado e idiossincrático oposto à distância nobre da VISÃO, levantando o problema da pretensão de validade universal do julgamento [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
Hans Jonas enumera as vantagens da VISÃO como distância objetiva, múltiplo contemporâneo, liberdade do observador e fundamento sensível da ideia de eterno, em contraste com a audição que invade o sujeito [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
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Distância como condição de objetividade.
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VISÃO introduz o observador.
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Audição como passividade.
Platão, no Fedro e no Philebus, contrapõe palavra escrita e fala viva e descreve o pensamento como escrita e pintura interior, onde a VISÃO de imagens mentais acompanha o discurso interior [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
A incompatibilidade entre intuição visual e discurso sequencial leva
Kant e Heidegger a conceber o logos como instrumento subordinado à VISÃO, mantendo a intuição como ideal de verdade filosófica [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
Os sentidos não se traduzem entre si e a linguagem apenas nomeia o objeto comum acessível à VISÃO, audição e tato, permanecendo incapaz de expressar plenamente qualidades sensoriais privadas [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
A verdade metafísica, fundada na metáfora da VISÃO, é autoevidente e inefável, distinta da tradição hebraica da audição que exige obediência, e exemplificada na adequatio rei et intellectus ilustrada por Heidegger e
Tomás de Aquino [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
A identificação entre busca filosófica de significado e busca científica de conhecimento reforçou a primazia da VISÃO e da intuição como forma suprema de verdade confirmada pela evidência sensível [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
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Thaumazein como origem.
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Confirmação sensorial.
O pensamento, dependente do discurso sequencial, não pode culminar em intuição autoevidente, e
Bergson descreve a fuga do significado quando tratado como objeto visual fixo [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
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Intuição metafísica.
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Objeto que “foge”.
A diminuição da metáfora da VISÃO na filosofia moderna desloca o critério de verdade para a consistência lógica, enquanto Heidegger e Benjamin preservam imagens residuais como relâmpago ou som do silêncio [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13].
Para os gregos, a filosofia como obtenção da imortalidade realiza-se na contemplação não discursiva do nous e na posterior tradução verbal da VISÃO eterna [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 14].
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Nous e logos.
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Alétheuein.
A tradução da VISÃO do nous em logos enfrenta a exigência de homoiosis, enquanto a eternidade do objeto visto é o critério próprio da VISÃO, segundo
Aristóteles e o Timaeus [
Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 14].
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Homoiosis versus doxa.
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Participação no eterno.
Epicteto sustenta que o espírito retém impressões e que somente a faculdade racional pode julgar além da VISÃO sensorial, tratando objetos como dados internos [
Arendt, Vida do Espírito II O Querer 9].
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Phantasiai.
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Dynamis logike.
Agostinho descreve a atenção do espírito, função da Vontade, como força que fixa a VISÃO no objeto e transforma sensação em percepção consciente [
Arendt, Vida do Espírito II O Querer 10].
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Atenção como nexo.
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Ver sem perceber.
O juízo moral, embora fundado no gosto privado e incomunicável, é elevado à faculdade espiritual de julgar, suscitando a tensão entre privacidade sensorial e pretensão universal [
Arendt, Vida do Espírito Apêndice O Julgar].