ARENDT, Hannah. On Revolution. New York: Penguin Publishing Group, 2006.
* A reaparição do problema do bem e do mal no momento em que se afirmava a dignidade humana sem religião institucionalizada revelou a insuficiência de Rousseau e Robespierre para sondar a profundidade dessa questão sem considerar a experiência do amor ativo da bondade encarnada em Jesus de Nazaré, posteriormente retomada por Melville em Billy Budd e por Dostoievski em O Grande Inquisidor, que mostraram como a bondade absoluta pode ser tão perigosa quanto o mal absoluto [Arendt].
* A incapacidade dos homens da Revolução Francesa de compreender o significado histórico de suas próprias ações contrasta com a posição privilegiada de Melville e Dostoievski, especialmente de Melville em Billy Budd, ao responder à tese revolucionária de que o homem é bom por natureza mediante a reencenação metafórica da segunda vinda em termos políticos [Arendt].
* A confrontação entre bondade natural além da virtude e maldade além do vício em Billy Budd mostra que tanto Billy Budd quanto Claggart, vindos socialmente do nada, encarnam forças elementares cuja colisão leva à intervenção da virtude institucional representada pelo Capitão Vere e revela a incompatibilidade do absoluto com a ordem política [Arendt].
* A ausência de compaixão na Revolução Americana, exemplificada por John Adams, contrasta com a centralidade da inveja e da compaixão em Billy Budd, onde Claggart inveja a integridade natural de Billy e este, vítima, sente compaixão pelo Capitão Vere [Arendt].
* A compaixão, por abolir a distância mundana onde se situam os assuntos políticos, revela-se politicamente irrelevante e incapaz de fundar instituições duradouras, como indicam o silêncio de Jesus em O Grande Inquisidor e o gaguejar de Billy Budd, inclinando-se antes à ação imediata e violenta do que aos processos deliberativos da lei [Arendt].
* A inversão melvilliana do mito de Caim e Abel responde à substituição revolucionária do pecado original pela bondade original, mostrando que a violência inerente à bondade elementar, assim como ao mal elementar, conduz à mesma cadeia de erros na esfera política [Arendt].
* O ódio à hipocrisia, aparentemente vício menor, liga-se ao antigo problema metafísico da relação entre ser e aparência, cuja relevância política foi pensada de Sócrates a Maquiavel, revelando que o vício que encobre vícios ameaça a própria distinção entre o que é e o que parece ser [Arendt].