AGAMBEN, G. O homem sem conteúdo. Tr. Cláudio Oliveira. Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2012
Mas, mesmo antes de Platão, uma condenação ou ao menos uma suspeita em relação à arte já tinha sido expressa na palavra de um poeta e ao fim do primeiro estásimo da Antígona de Sófocles. Após haver caracterizado o homem, enquanto possui a τέχνη (isto é, no amplo significado que os gregos davam a essa palavra, a capacidade de pro-duzir, de levar uma coisa do não ser ao ser), como aquilo que há de mais inquietante, o coro prossegue dizendo que esse poder pode conduzir tanto à felicidade quanto à ruína e conclui com um voto que faz lembrar o banimento platônico :
Que da minha lareira não se torne íntimo
Nem partilhe os meus pensamentos
Aquele que leva a cabo tais coisas.1)