Na tradição da filosofia ocidental, o homem aparece como o mortal e, ao mesmo tempo, como o falante, sendo o animal que tem a faculdade da linguagem e o animal que tem a faculdade da morte, nas palavras de
Hegel, sendo igualmente essencial esse nexo na experiência cristã, em que os homens, os viventes, são incessantemente entregues à morte através de Cristo, isto é, através do Verbo, sendo essa fé que os move à palavra e os constitui como os economos dos mistérios de Deus, perguntando-se se o nexo entre essas duas faculdades, sempre pressupostas no homem mas nunca radicalmente postas em questão, pode realmente permanecer impensado, e se o homem não fosse nem o falante nem o mortal, sem por isso deixar de morrer e de falar, qual seria então o nexo entre essas suas determinações essenciais, não dizendo elas talvez o mesmo sob duas formulações diferentes, e se esse nexo não tivesse, com efeito, lugar.