Dasein significa, portanto, ser-o-Da, e, aceita a tradução já consagrada de Dasein por Esserci, dever-se-ia entender essa expressão como “ser-o-aí”; se ser o próprio Da, isto é, estar em casa no próprio lugar, é o que caracteriza o Dasein, isso significa que justamente no ponto em que a possibilidade de ser o Da é assumida, através da experiência da morte, em seu modo mais autêntico, o Da se revela como o lugar de onde ameaça uma negatividade radical, havendo algo, na pequena palavra Da, que nulifica, que introduz a negação naquele ente — o homem — que tem de ser o seu Da; a negatividade provém ao Dasein de seu próprio Da, perguntando-se então de onde provém ao Da seu poder nulificante, e se de fato se compreende a expressão Dasein, ser-o-Da, antes de responder a essa pergunta, e onde estaria o Da se aquele que se detém em sua clareira (Lichtung) é, por isso mesmo, o “lugar-tenente do nada” (Platzhalter des Nichts), questionando-se em que a negatividade que atravessa de cima a baixo o Dasein difere daquela que se costuma conhecer através da história da filosofia moderna.
No início da Fenomenologia do Espírito a negatividade surge justamente da análise de uma partícula morfológica e semanticamente ligada ao Da, o pronome demonstrativo diese (este), de modo que, assim como o pensamento de Heidegger em Ser e Tempo começa pelo ser-o-Da (Dasein), também a Fenomenologia do Espírito hegeliana se abre com a tentativa da certeza sensível de “tomar-o-Diese” (das Diese nehmen), perguntando-se se há uma analogia entre a experiência da morte que, em Ser e Tempo, abre ao Esserci a possibilidade autêntica de ser o seu aí, o seu aqui, e a experiência do “tomar o Isto” que, no início da Fenomenologia, garante que o discurso hegeliano comece do nada, e se o ter posto em princípio o Dasein — esse novo início que Heidegger confere à filosofia, para além tanto da Haecceitas medieval quanto do eu do subjetivismo moderno — situa-se verdadeiramente também além do sujeito hegeliano, do Geist como das Negative.