, chegado até nós em quatro versões diferentes e cujo título — Patmos — remete certamente a um contexto cristológico, é dedicado à experiência da proximidade do Reino e à parábola do semeador
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Que o problema em questão concerne à proximidade do Reino de Deus e, ao mesmo tempo, à dificuldade de acessá-lo fica claro no início do primeiro rascunho: “Deus está perto / Mas é difícil de apreender”, e o que está em jogo nessa dificuldade é nada menos que a salvação: “Onde há perigo / Cresce também o que salva”
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A escuridão evocada logo depois não deixa de se relacionar com as Escrituras, pois o poeta pode pedir “asas, e as mentes mais fiéis / Para viajar e depois voltar mais fiéis ainda”
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Apenas esse contexto neotestamentário explica a súbita evocação da parábola do semeador: os que estavam próximos de Deus e viviam em sua memória perderam agora o sentido de sua palavra, perplexos e não mais se entendendo uns aos outros, enquanto o Altíssimo desvia o rosto, de modo que nada de imortal pode ser visto nem no céu nem sobre a terra verde
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À pergunta angustiada do poeta sobre que sentido tirar de tudo isso, a resposta remete, com perfeita coerência, à parábola do gesto do semeador, que recolhe o trigo com a pá e o lança ao ar limpo
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A interpretação da parábola sofre, porém, uma reviravolta peculiar: que a semente se perca e a palavra do Reino permaneça infrutífera não é, segundo o poeta, algo mau, pois a palha cai a seus pés, mas o grão emerge ao fim, e não é mal que parte dela se perca, ou que os sons de Sua fala viva se apaguem
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Contra a tradição, o que importa atender é o sentido literal, não o espiritual, pois o que o Pai que reina sobre todas as coisas mais deseja é que a Palavra estabelecida seja cuidadosamente atendida e que o que perdura seja bem interpretado; a palavra do Reino estaria condenada a perder-se e a permanecer desapreciada não fosse sua literalidade, e disso vem o canto: “o canto alemão deve corresponder a isso” — não mais entender a palavra do Reino é uma condição poética